Clássicos na Crítica | Oliver & Sua Turma

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Oliver & Sua Turma é o clássico da Disney sobre um gatinho de rua que acaba se juntando a uma gangue de cães para conseguir sobreviver na grande cidade de Nova Iorque. A animação é a vigésima sétima obra dos estúdios de animação da Disney e chegou aos cinemas em Novembro de 1988.

A trama é levemente baseada no livro Oliver Twist, de Charles Dickens, e conta com a participação especial de outros personagens clássicos do estúdio, como Aurora, de A Bela Adormecida (1959); Joca, Peg e Caco, de A Dama e o Vagabundo (1955); Ratagão, de As Peripécias do Ratinho Detetive (1986); e até mesmo um forasteiro, o Scooby-Doo, da Hanna-Barbera, como um dos fãs de Georgette.

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Em sua dublagem original, o longa-metragem traz grandes nomes em seu elenco de vozes originais, como o cantor Billy Joel no papel de Esperto, Joey Lawrence, o eterno Joey de Blossom (1990-1995), como Oliver, o comediante Cheech Marin como Tito, e a estrela Bette Midler como Georgette.

Enquanto isso, aqui no Brasil, Paulo Ricardo foi o responsável pelo tema de abertura “Nova York é Uma Cidade Grande e Tentadora”, enquanto Léo Jaime ficou com as músicas cantadas por Esperto; Simony, com as músicas de Jenny; e Adriana Calcanhotto, com a cantoria de Georgette.

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A nossa trama começa, ao som de Paulo Ricardo, mostrando vários gatinhos sendo adotados, menos Oliver. Nosso protagonista acaba ficando para trás, em uma das cenas mais tristes do longa. Sozinho e assustado, ele agora precisa encontrar uma maneira de sobreviver à agitada Nova Iorque, é quando uma parceria inusitada acaba acontecendo.

Quem diria que um gatinho acabaria trabalhando em um plano astuto para conseguir algumas salsichas ao lado de um cachorro? Claro que nem tudo termina bem, afinal o cachorro, Esperto, não ganhou esse nome por nada. Assim que ele atinge seu objetivo, trata de tentar passar Oliver para trás, mas nosso herói não desiste fácil, ele acaba seguindo Esperto até aonde ele mora.

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Lá, outros cachorros carismáticos são apresentados para nós: Tito, Einstein, Francis e Rita. Ficamos sabendo também que eles não são cachorros de rua, Fagin é o dono deles e está metido em uma grande enrascada, já que está devendo dinheiro para o agiota Sykes e, se ele não conseguir encontrar uma maneira de fazer o pagamento em três dias, pode ser que os nossos amiguinhos acabem órfãos também.

Rapidamente, Oliver acaba se enturmando com os demais e caindo nas graças de Fagin, que resolve contar com a colaboração de todos eles para conseguir o dinheiro necessário para salvar a sua vida. No dia seguinte, todos partem preparados para atingirem seus objetivos, o plano não poderia ser mais fácil, enquanto Francis finge ser atropelado, Tito e Oliver entrariam no carro em busca de objetos de valor.

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Porém, nosso gatinho é visto por Jenny, uma garotinha que se encontra chateada pela distancia de seus pais, quando seu aniversário se encontra bem próximo. A menina se ilumina com a presença de Oliver e resolve adotá-lo, mas a presença de Oliver na mansão não é bem-vista apenas por seus habitantes, como o motorista Winston.

Georgette, a cadelinha nada modesta da menina, também não fica nada feliz ao saber que vai ter que dividir sua casa com outro animalzinho de estimação. Para a alegria dela, enquanto Jenny vai para a escola, Esperto e sua trupe resolvem resgatar Oliver, a missão é um sucesso. O único problema é que parece que o gatinho não ficou nada feliz com o seu resgate, afinal, tudo o que ele queria era ser adotado por alguém.

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Obviamente chateado, Esperto diz que, se Oliver prefere voltar para a sua nova dona, ele é livre para ir. Porém, Fagin tem outros planos para o bichano. Ao perceber que ele foi adotado, ele parece ter encontrado a solução para o seu problema: pedir um resgate para devolver Oliver aos seus donos. Ele escreve um bilhete e coloca na casa de Jenny.

Ao chegar da escola, a menina fica completamente desolada ao perceber que seu novo amigo foi sequestrado e resolve ir atrás do gatinho acompanhada de uma nada feliz Georgette. Ela chega ao ponto de troca marcado por Fagin, e ele acaba se surpreendendo com o fato de ser uma criança triste indo atrás do bichinho, tentando pagar o seu resgate apenas com os trocados de seu cofrinho.

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Fagin não aguenta e acaba liberando Oliver sem falar que era ele quem estava pedindo o pagamento do resgate. Quando a gente pensa que está tudo bem e está tudo a salvo, Sykes sequestra a menina e o gatinho, dizendo que se Fagin ficar quieto, a divida está perdoada. Claro, nossos heróis vão atrás do vilão na tentativa de resgatar Jenny, e felizmente, eles conseguem sair ilesos dessas aventuras.

Os únicos que não se dão tão bem assim, além de Sykes, são Roscoe e Desoto, seus dobermanns nada amigáveis. Por fim, nossos personagens acabam em uma comemoração do aniversário de Jenny. Todos continuam grandes amigos e Oliver segue vivendo ao lado da simpática menininha.

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Infelizmente, Oliver & Sua Turma não é uma animação com uma grande quantidade de fãs. Não é que a história não seja boa, muito pelo contrário, ela possui vários ingredientes para uma boa trama: bom humor, personagens cativantes, aventura e músicas deliciosas, por exemplo, é praticamente impossível não cantar “Eu Não Vou Esquentar” junto com o Esperto. Acredite, eu tentei.

Então, por qual motivo boa parte da galera não conhece esse clássico delicioso? Um fato que não deve ter deixado os pais muito felizes para deixar seus pequenos pimpolhos assistirem ao desenho, é a trama do Fugin. Um desempregado que enfrenta problemas com um agiota, além do final um tanto quanto violento para toda essa situação.

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Mas até ai, não é como se os clássicos anteriores não tivessem um pouco de obscuridade em suas tramas. Inclusive isso é algo que acompanha as animações até hoje. Mais recentemente, em O Bom Dinossauro (2016), quem não ficou chocado quando os pterodáctilos se alimentaram de um outro personagem incrivelmente fofo?

Se eu que já sou adulto, fiquei impressionado no meio do cinema, imagino que não foi muito reconfortante para algumas crianças. Mas talvez o problema tenha ficado por conta da divulgação ou da própria empresa que sempre busca enaltecer os mesmos clássicos de sempre e acabam deixando alguns menos conhecidos no fundo do cofre, sendo tratados de maneira inferior.

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Oliver & Sua Turma é um longa de apenas setenta e três minutos, os quais passam e você nem percebe, de tão envolvente que a trama é. Em alguns aspectos, chega a ser algo parecido com Bernardo e Bianca (1977) com um pouco de Aristogatas (1970).

Sem contar o plano de fundo da trama, a grande Nova Iorque que serve como palco para os sonhos mais selvagens dos corações dos artistas do mundo inteiro e que ainda assim, não é um lugar muito acolhedor, que é exatamente sobre o que esse filme fala. Sobreviver naquelas ruas não é uma tarefa para muitos e quem dirá para um gatinho indefeso?

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Confesso que essa animação é uma das quais eu possuo mais carinho entre os clássicos, talvez seja pelo fato de eu simpatizar pelos oprimidos da Disney. E se você ainda não deu uma chance para o Oliver e os amigos dele conquistarem o seu coração, talvez esteja na hora de você dar uma conferidinha.

Venha se apaixonar por Nova Iorque e aprender os macetes para sobreviver no meio de todo aquele caos. No meio do caminho, pode ser que você acabe descobrindo que as melhores aventuras podem acontecer nas parcerias mais inusitadas.

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Sobre o Autor(a)

Médico formado em 2013 por Private Practice, fazendo residência em Grey's Anatomy desde 2009. Ainda não superou a season finale da oitava temporada.



  • Pedro

    “Oliver e sua Turma” é um dos desenhos mais subestimados da Disney. Na minha opinião é melhor até que o livro “Oliver Twist”. O roteiro conseguiu eliminar tudo de ruim que Dickens adorava enfiar em suas obras: a sua pieguice e os seus sermões, ambas coisas que tornam seus romances hoje quase insuportáveis. E nesse caso em particular, livrou-nos da horrenda caricatura antissemita que o Fagin da obra original, que era um vilão grotesco, e era referido mais vezes como “o judeu” do que por seu nome.
    Infelizmente o desenho foi vítima da mentalidade da época, que via a Disney como decadente.