Clássicos na Crítica | A Nova Onda do Imperador

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Depois de revirarmos os arquivos perdidos sobre o sombrio desenvolvimento desse clássico Disney, que durou cerca de cinco anos, é chegado o momento de discutirmos a respeito do resultado final. Então, permaneçam sentados com braços e pernas para dentro, pois vamos retornar quinze anos ao passado para mais um especial Clássicos na Crítica, sobre nada menos que A Nova Onda do Imperador (2000).

É difícil iniciar uma crítica sobre esse filme em nosso idioma sem falar sobre a versão dublada brasileira, o resultado nacional ficou tão acertado que muitos, inclusive, os consideram superior à versão original, em inglês. E não é para menos, temos aqui um dos melhores elencos de vozes escalados para um trabalho de dublagem de todos os tempos, com perfeita sincronia com a temática cômica do filme.

Todos já sabem, mas ficam aqui os créditos para Selton Mello (Kuzco), Marieta Severo (Yzma), Humberto Martins (Pacha), Guilherme Briggs (Kronk) e Ed Motta (canções), além da direção de dublagem por Garcia Júnior. Abaixo, você confere uma ótima entrevista com cada dublador principal do filme.

A Nova Onda do Imperador segue uma vertente secundária dos Estúdios Disney, a veia cômica, como os clássicos Hércules (1997), Aladdin (1992) e Lilo & Stitch (2002). Ao contrário de apostar em histórias mais épicas e profundas, com maior preocupação com a parte técnica e visual, como os memoráveis A Pequena Sereia (1989), A Bela e a Fera (1991) e O Rei Leão (1994).

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Evidentemente, isso não é um problema e não coloca o filme em um patamar inferior sob qualquer forma, são apenas vertentes. Aqui, temos um filme caricato, divertido, despretensioso, engraçado e, por que não, escrachado. É uma alusão à nossa sociedade, cuja lição falaremos a respeito logo mais.

De início, logo na primeira cena do filme, somos apresentados à lhama Kuzco, onde a interação entre protagonista e narrador, ainda que sejam a mesma pessoa, já evidencia a metalinguagem e o desprendimento que a narrativa seguirá pelos próximos 78 minutos. Neste momento, somos convidados a conhecer os motivos que levaram a este cenário.

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Assim, Kuzco se apresenta, na realidade, como um poderoso Imperador que, por questões de intrigas políticas, chegou a essa situação animal. Temos, nessa cena, a única canção de Sting que permaneceu dentro filme até a versão final, de um total de seis, desconsiderando sua reprise ao final e a música dos créditos. Ed Motta nos traz uma excelente adaptação da canção, no mesmo nível da qualidade da dublagem nacional, já evidenciando um ponto crítico do enredo; a arrogância, corrupção e o abuso do poder por parte de “governantes que não sabem governar“.

Em seguida, somos apresentados aos demais personagens centrais da trama: Yzma, a conselheira imperial; Kronk, seu braço-direito (ou melhor, capanga); e Pacha, o humilde camponês do Morro que Não Canta. Yzma estava criando um hábito de querer passar por cima das decisões de Kuzco, algo que ele não gostou muito, levando à demissão da centenária conselheira.

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Pacha havia sido chamada ao Palácio apenas para que o Imperador soubesse onde o sol bate mais em seu morro. Pois, sem qualquer cerimônia, no dia seguinte toda a vila seria destruída para a construção de Kuzcotopia, um Parque Aquático de Verão, que tem até escorrega, como seu auto-presente de dezoito anos. Nesse momento a arrogância e falta de consideração de Kuzco são mais evidentes que nunca, não se importando com a moradia ou sequer com o destino de seus humildes súditos camponeses.

No entanto, quem ficou realmente inconformada com sua situação foi Yzma, que, enquanto descontava sua raiva em bustos do Imperador, decide se vingar dele após uma inocente fala de Kronk, envenenando-o. Afinal, Kuzco não tinha herdeiros, fazendo de Yzma sua sucessora oficial ao trono.

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É quando chegamos a uma das mais cômicas cenas do filme, onde Yzma convida Kuzco para um jantar de despedidas. O problema é que Kronk acaba utilizando a poção errada e transforma a vítima em uma lhama, ao invés de matá-la. Vale notar que, no momento em que Yzma joga sua bebida em uma planta ao seu lado, na cena seguinte ela ganha um formato de lhama também.

Após essa bagunça, e um cafezinho rápido, só restava a opção de matar o animal e se livrar dos vestígios. O problema, para variar, é que Kronk foi o encarregado pela tarefa, após uma discussão com os extremos de suas consciências, acaba perdendo a lhama. Assim, Kuzco cai justamente na carroça de Pacha, que voltava cabisbaixo para sua vila, sabendo que, no dia seguinte, ela seria destruída e sua família e amigos ficariam sem ter onde morar.

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Somos, então apresentados à família de Pacha, seus dois filhos e sua esposa, que é primeira personagem a aparecer grávida em um desenho da Disney. Eles teriam uma participação muito maior na história nas versões iniciais, mas acabaram só aparecendo por alguns minutos, ainda que de forma relevante para o enredo.

Em resumo, o enredo trata de três questões centrais: Kuzco tentando regressar à sua zona de conforto enquanto segue todo arrogante e insensível; Pacha tentando convencê-lo de que é melhor ser uma boa pessoa do que um babaca; e Yzma tentando ir atrás de Kuzco para finalizar seu plano.

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Durante esse processo, as gargalhadas são inevitáveis, com um desenrolar muito natural e piadas sobre a falta de sentido de algumas cenas e acontecimentos. A diversão obviamente, é garantida. Mas também há momentos sérios, como quando Pacha se frusta com Kuzco e diz que, como ele é, vai acabar sozinho na vida sem ter ninguém a quem culpar além de si mesmo.

Não podemos deixar de mencionar a excelente trilha sonora da animação, que embala todas as cenas com perfeição, além de ser muito acertada, tal como a dublagem. Os créditos vão para John Debney, que também compôs para ambos os filme de O Diário da Princesa (2001), O Galinho Chicken Little (2005) e volta no ano que vem na adaptação com atores de Mogli: O Menino Lobo (1967). A faixa “Corre Lhama Corre” merece menção honrosa, sendo, sem dúvidas, a mais marcante neste clássico Disney.

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O grande destaque do filme fica justamente quanto à relação entre Kuzco e Pacha, enquanto o camponês tenta colocar algum juízo na cabeça do Imperador, ele se mantém arrogante até o momento em que começa  a notar que sua forma de agir não faz sentido, só aumenta seu vazio interior, mesmo já imaginando que tem “tudo”.

E é nisso que está a riqueza do filme, a maturidade e autodescoberta do protagonista Imperador, que é levado, da maneira mais dura, a aprender a valorizar o que realmente importa; as pessoas. Por isso, A Nova Onda do Imperador é uma chance perfeita para ensinar às crianças e relembrar aos adultos que, mais que poder, dinheiro e fama, você não é nada se não tem amigos por perto e não sabe valorizar todas e cada uma das pessoas deste mundo.

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Sobre o Autor(a)

O diretor de marketing de O Camundongo iniciou sua aventura virtual com a Disney há mais de seis anos e, desde então, acompanha o crescimento do projeto e se orgulha do que foi e será feito por aqui.



  • IF97

    Gosto muito desse clássico queria que ele fosse lançado em Blu-Ray. 🙁

  • rodrigo duarte

    Quá quando cotra… cós.