Eras da Disney | A Era de Bronze e Era Sombria

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Olá, Camundongos! Bem-vindos de volta ao especial Eras da Disney. Hoje, vamos continuar nossa viagem pela história do Walt Disney Animation Studios!

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Antes de sua morte, Disney dera o sinal verde para a produção de Aristogatas (1970), o próximo lançamento que uniria as técnicas de animação de 101 Dálmatas (1961) com o estilo de dublagem de Mogli – O Menino Lobo (1967). O longa teve resultados consideráveis e logo em seguida já se iniciaria uma nova produção.

Novamente, uma história conhecida seria revisitada, e desta vez, a escolhida resultou em Robin Hood (1973). Neste filme. já estavam presentes novos animadores no estúdio e a participação dos veteranos diminuiria desde então. Apesar de seguir a estética de animais com características humanas, já clássica da Disney, o filme não empolgou, pois falhou ao captar a grandiosidade do mito inglês que era o protagonista da história. O design do filme não era o melhor já feito e o resultado final foi insatisfatório.

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Quatro anos depois, em 1977, seria lançado As Muitas Aventuras do Ursinho Pooh. Em anos anteriores, o estúdio lançara dois curtas-metragens contando histórias de Pooh e seus amigos mas esse seria o primeiro longa metragem feito. O filme, com poucas inovações, passou pelo público sem causar grande comoção mas manteve viva na memória a história dos personagens criados por A. A. Milne, que retornariam décadas mais tarde em um filme completamente novo.

Pouco tempo depois de As Muitas Aventuras do Ursinho Pooh, chegava às telas Bernardo e Bianca (1977). Também baseado em originais literários, escritos pela britânica Margery Sharp, a história dos dois ratinhos conseguiu cativar o público graças à sua leveza e carisma.

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Apesar da narrativa não ser redonda, ou até mesmo consistente, o filme possuiu cenários interessantes, um tom cômico característico do estúdio e uma vilã forte que garante bons momentos durante a história. Em Bernardo e Bianca percebe-se ainda mais a participação dos novos animadores. Entretanto, a mudança se tornaria completamente evidente no próximo lançamento.

Havia no estúdio um grupo de animadores conhecidos como Nine Old Men [1], ou os Nove Veteranos, que estiveram presentes desde o início do estúdio, e alguns até mesmo antes disso. Após a morte de Walta participação destes artistas nos filmes diminuiria e seria substituída pelo trabalho dos novos animadores.

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Em 1981, era lançado O Cão e a Raposa, um longa com grande parte da produção já realizada pelos novatos do estúdio. O filme pode ser entendido como uma transição, uma vez que a nova leva de animadores começaria a sair debaixo da sombra dos veteranos. Muito do longa relembra antigos lançamentos graças à narrativa com forte apelo emocional, mas ainda assim faltava um toque de clássico, que não era fácil de ser alcançado.

Os jovens queriam mostrar independência e inovação e ao mesmo tempo provar que conseguiriam continuar com o trabalho de excelência consolidado pelo estúdio. Era precipitado partir para um novo projeto sem a supervisão dos veteranos, mas havia nos novatos uma força em busca da descoberta e, com esse fôlego, eles partiriam para uma nova empreitada.

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O projeto seguinte, O Caldeirão Mágico (1985), desde seu início partia com dois problemas que o levariam à sua ruína. Primeiramente, a falta de supervisão gerava confusão de modo que não havia um plano de produção a se seguir. Não sabia o que se esperar de um time de animadores que nunca realizara um projeto sozinho. Segundo, a matéria-prima do longa não era a mais apropriada para a estreia de um novo grupo de artistas.

O filme era baseado em uma série de livros escrita por Lloyd Alexander que contava a história sombria de um jovem em busca de um caldeirão com poderes sobrenaturais. Apesar do sucesso dos livros na época, a narrativa era obscura demais para o público ao qual o estúdio se destinava. Entretanto, não fora dada a devida atenção a esse ponto e o projeto continuou em andamento sem grandes alterações. Poucos esperavam que o filme levaria o estúdio à sua pior fase.

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Até o lançamento de O Caldeirão Mágico, pode-se dizer que o estúdio vivia a Era de Bronze, mantendo os lançamentos com qualidade razoável mas buscando desesperadamente um rumo para as futuras produções. Com O Caldeirão Mágico, ingressou-se na Era Sombria, que pode ser entendida como uma sub-era dentro da Era de Bronze.

A produção do filme foi desastrosa, as unidades de animação não se comunicavam e a inovação que eles tanto buscavam não passou de uma ideia nebulosa. Com as divergências internas, o filme resultou em uma narrativa completamente incoerente com visual obscuro demais e dificilmente identificável como uma produção Disney.

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A luta pelo comando da companhia após a morte de Walt Disney acabou por refletir no andamento do projeto e então, em 1985, com o lançamento de O Caldeirão Mágico, o estúdio conheceu seu pior desempenho. A ambição dos novos animadores era visível em certos momentos do filme, mas nada que fora feito era suficiente para mudar o resultado final.

Pouco tempo depois, a The Walt Disney Company recebeu novos líderes. Tais mudanças alertavam para a necessidade de um novo rumo nos próximos projetos da companhia. A equipe de animação foi realocada para um novo prédio, deixando para trás o local onde todos os clássicos haviam sido feitos, o que parecia a maior evidência de que o estúdio passara por uma reviravolta.

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Durante a produção de O Caldeirão Mágico, outro projeto já havia sido iniciado e resultaria no filme As Peripécias do Ratinho Detetive (1986). Tal filme havia sido autorizado com uma condição: ele precisava ser feito com baixíssimo orçamento. O Caldeirão Mágico já custava mais de US$25 milhões mesmo antes de finalizado e não era possível arriscar tanto em outro projeto. Tendo em vista suas condições de produção, As Peripécias do Ratinho Detetive pode ser considerado um sucesso, trazendo uma história agradável e ao mesmo tempo intrigante.

Lançado em 1986, um ano após o grande fiasco do estúdio, o filme parecia uma ponta de esperança e significava o retorno à Era de Bronze. Em alguns momentos, a história do Ratinho Detetive lembrava antigos feitos do estúdio e previa mudanças bem sucedidas que seriam melhor estruturadas em lançamentos futuros. Assim como Dumbo (1941), As Peripécias do Ratinho Detetive foi um filme de baixo orçamento criado para gerar retorno financeiro. Com o resultado positivo, o estúdio percebeu que a animação ainda tinha fôlego e permitiu o início de novos projetos.

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Outro longa que ajudou a reanimar os estúdios Disney foi Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). Apesar de não ser uma produção completamente de animação, o filme trouxe de volta à memória afetiva do público características típicas da Disney.

Sua estética, que misturava animação e atores reais, era uma evolução do que havia sido feito décadas atrás em A Canção do Sul (1946), mas, desta vez, com a tecnologia mais desenvolvida, resultando em interações espetaculares entre desenhos e pessoas. Devido ao sucesso do longa, entendeu-se que com produções mais bem acabadas o estúdio poderia continuar acreditando no formato de animação.

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Então, com nova liderança estabelecida, um time de animadores já com certa experiência e a esperança em futuras produções, o estúdio lança Oliver e sua Turma em 1988. Neste filme, já são introduzidas mais técnicas de animação computadorizada que seriam ainda mais desenvolvidas nos anos 1990. O longa seria o último da Era de Bronze e seu resultado estava longe do que o estúdio alcançaria no ano seguinte.

Poucos meses depois, um novo projeto colocaria os animadores trabalhando a todo vapor e iniciaria uma era que transformaria a história da animação para sempre. Camundongos, a quarta parte do nosso especial Eras da Disney fica por aqui. Na próxima semana, vamos conhecer a Era da Renascença!

Notas do Autor:

[1] Os Nine Old Men são: Les Clark, Marc Davis, Ollie Johnston, Milt Kahl, Ward Kimball, Eric Larson, John Lounsbery, Wolfgang Reitherman e Frank Thomas. Além de animadores, alguns deles chegaram a dirigir filmes do estúdio. Todos foram reconhecidos como Disney Legends, ou Lendas da Disney, graças à sua importância na história da The Walt Disney Company.

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Sobre o Autor(a)

Mouseketeer desde que se entende por gente. Finalmente realizei meu maior sonho de Camundongo e visitei todos os parques da Disney no mundo!



  • IF97

    Na semana que vem minha era favorita❤❤

  • O Caldeirão Mágico eu tive o prazer de assistir recentemente e é perceptível o quão aquém ele é em diversos aspectos. Ao mesmo tempo, é um filme com um tom mais escuro, tanto em termos narrativos como na própria palheta de cores. Ele é um filme curioso de se assistir e que para bem ou para o mal se tornou um dos filmes que mais se aprofundou no esquecimento da cultura popular.
    Eu gostaria que a Disney voltasse a mexer nele, não com um filme, nem nada, mas trazer ele em forma de material de marketing ou como postagens que eles sempre fazem em suas redes sociais.

  • Lancelord .

    Apesar de ser uma era fraca, muitos personagens dessa era fizeram sucesso como a gata Marie, Bernardo e Bianca, O Cão e a Raposa e principalmente os personagens da turma do Pooh

  • F Palmeiras

    Quando falamos das animações da Disney dos anos 80, não podemos esquecer de falar sobre a guerra que existiu entre a Disney e as excelentes animações independentes de Don Bluth naquela época.

  • Júnior Bill

    Quando não sabia que o Caldeirão Mágico era da Disney eu imaginava que era do mesmo estúdio que tinha produzido A Princesa Encantada.