A Outra Ponta do Lápis | Roy O. Disney

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O nome Walt Disney é conhecido por milhões de pessoas de diferentes nacionalidades e idades. Se tornou uma referência no mundo do entretenimento, um sinônimo de excelência. Além de uma marca de sucesso, Walt Disney foi um exemplo de homem que nunca desistiu de seus sonhos e construiu um império a partir de sua imaginação. Mas ele não o fez sozinho.

A coluna desse mês não irá homenagear um animador, e sim aquele que foi imprescindível na construção e realização dos sonhos de Walt e merece toda a nossa gratidão. Seu irmão mais velho, Roy O. Disney.

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“Meu trabalho sempre foi ajudar Walt a fazer as coisas que ele queria fazer. Ele se preocupava em sonhar. E eu em como construir.”

Roy O. Disney

Roy Oliver Disney é o terceiro filho de Elias e Flora Disney. Ele nasceu dia 24 de Junho de 1893, na cidade de Chicago. Apesar de terem oito anos de diferença, era com Walt que Roy passava a maior parte do seu tempo.

Seu relacionamento com o irmão se fortaleceu quando Elias decidiu se mudar com a família para a cidade de Marceline, em Missouri. A cidade é famosa entre os fãs da história pessoal do criador de Mickey, pois foi nela que Walt se baseou para construir a rua Main Street USA, no parque Magic Kingdom.

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Elias Disney era um homem extremamente sério, ranzinza e rígido. Era um cristão fervoroso, que acreditava em garantir uma vida tranquila através de trabalho duro. Ele não incentivava os sonhos dos filhos e por isso Walt acabou tomando Roy como seu exemplo.

Em Marceline, os dois irmãos escapavam da realidade juntos. Brincavam de trem, cuidavam dos animais da fazenda e Roy mimava os irmãos com doces e agrados. Era a infância ideal e que seria representada anos depois nos filmes de Walt.

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A família Disney se mudou mais uma vez, em 1911, para Kansas City. Lá, em mais uma tentativa de tentar obter sucesso através de seu trabalho, Elias comprou rotas de entrega de jornal. Esse período sempre foi lembrado pelos dois irmãos com rancor. O pai os escalou para realizar as entregas. Roy e Walt precisavam realizar o trabalho todos os dias cedo, muitas vezes sob chuva e frio, o que só aumentou o laço entre os dois.

Apesar da relação forte entre os irmãos, Roy, cansado da maneira que o pai os tratava, decidiu sair de casa. Conseguiu emprego como caixa de banco na mesma cidade e lá ficou até se alistar na marinha dos Estados Unidos, em 1917. Walt quis segui-lo para a guerra, mas, devido à pouca idade, não pôde. Roy foi liberado pela marinha em 1919, após ter adquirido tuberculose.

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De volta aos Estados Unidos, Roy se mudou para Los Angeles e voltou a trabalhar em bancos. Ele ainda estava se recuperando da doença, quando o irmão o visitou com a ideia de abrir um estúdio. Walt tinha acabado de fechar seu maior acordo com uma distribuidora para realizar seus curtas e Roy, sempre acreditando nas ideias do irmão, aceitou ajudar. Os dois juntaram todo o dinheiro que conseguiram e, em 1923, abriram o Disney Brothers’ Studios em Hollywood. Era o início dos estúdios Disney.

Anos depois, Walt comprou a maioria das ações de Roy e, assim, se tornou o real dono do estúdio. Apesar disso, os dois continuaram tendo a mesma importância. A parceria entre eles foi a chave para o sucesso da empresa. Sim, Walt era um gênio criativo e, graças às suas ideias e imaginação, o nome Disney conquistou todo o prestigio que ainda carrega.

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No entanto, justamente por possuir ideias ambiciosas é que precisava de alguém de igual competência financeira. Walt nunca foi um bom administrador. Diversas vezes a empresa ficou à beira da falência e Roy precisou interferir para que os projetos do irmão, como Branca de Neve e os Sete Anões (1937), não morressem no papel.

Roy acreditava tanto nas ideias e talento do irmão, que se manteve fiel aos sonhos de Walt mesmo após a sua morte. Walt Disney faleceu em 1966, antes da finalização de seu maior projeto, na época chamado Disneyworld.

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“Sem Roy, Walt Disney World não teria acontecido. Todos estavam tão deprimidos com a morte de Walt que ninguém conseguiu ocupar seu lugar. Foi necessário um Disney para isso, e esse Disney foi Roy.”

Jack Lindquist

Os executivos da empresa cogitaram cancelar toda a construção do complexo de parques na Flórida, ou realizar alterações que o tornasse mais simples. Roy, entretanto, manteve-se firme e no comando da empresa, garantindo que as construções continuassem exatamente iguais aos planos de Walt.

Porém, ele realizou, sim, uma alteração. Exigiu que o nome do lugar passasse a ser Walt Disney World. Com a adição de “Walt”, ele pretendia que as pessoas nunca se esquecessem de quem foi o responsável por tornar todos aqueles sonhos em realidade. Seu irmão Roy O. Disney foi o maior fã que Walt já teve. Ele estava presente, em Outubro de 1971, na inauguração do icônico parque Magic Kingdom, e realizou um lindo discurso de abertura na Main Street USA, sua querida Marceline.

Discurso de Roy O. Disney na inauguração do Magic Kingdom:

“Walt Disney World é um tributo à filosofia e vida de Walter Elias Disney.”

Roy O. Disney

A estátua de Walt Disney segurando a mão de Mickey Mouse é famosa e parada obrigatória para foto de qualquer fã que vai para o parque. Mas poucos percebem que a outra mão de Walt aponta para seu irmão no fim da rua. A estátua de Roy pode ser encontrada no início da Main Street, ao lado da bandeira dos Estados Unidos. A personagem que o acompanha é ninguém mais, ninguém menos do que Minnie Mouse.

Roy era muito mais tímido que o irmão e preferia manter sua vida particular longe dos tabloides. Talvez, por isso, poucos lembrem de sua participação na construção do império Disney. Se casou, em 1925, com Edna Francis e, em 1930, o seu filho, Roy Edward Disney, nasceu – ele foi o último membro da família Disney que fez parte do quadro de diretores da empresa.

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Roy parece ter usado todas as suas forças para garantir que o sonho de Walt fosse finalizado. Apenas dois meses depois da inauguração do Magic Kingdom, no dia 20 de Dezembro de 1971, ele sofreu uma hemorragia no cérebro e nos deixou.

Roy O. Disney foi muito mais do que um excelente sócio e administrador, foi o melhor amigo que Walt teve, mesmo depois da fama. Os dois se apoiaram durante toda a vida. Primeiro, Roy inspirou o irmão a ser um bom homem e, depois, Walt o ensinou a sonhar.

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Acho a parceria dos dois, em todas as áreas de suas vidas, inspiradora. Gostaria que os fãs se lembrassem com mais frequência do nome e importância de Roy e por isso estou empolgada em compartilhar sua história, mesmo que brevemente com vocês. Já o conheciam, Camundongos?

Para aqueles que se interessaram e gostariam de saber mais sobre a vida dos irmãos Disney, sugiro a leitura da biografia “Walt Disney: a Triumph of the American Imagination“, de Neal Gabler. Está recheada de histórias sobre a infância e juventude dos dois, bem como os bastidores do primeiro estúdio e construção dos parques.

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Escrito por Caroline

Designer Gráfico, Disney freak, viciada em café, quer ser roteirista e princesa quando crescer. Têm mais livros do que deveria e leu mais vezes “Orgulho e Preconceito” do que têm coragem de admitir.