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Especial | A História das Princesas – Parte Final

Bem-vindos à quarta e última parte do especial “A História das Princesas”! Falaremos sobre uma nova Renascença Disney e como as novas princesas estão intimamente ligadas a esse alvorecer que começou no final dos anos 2000.

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Ao longo da primeira década do novo milênio, a Disney enfrentou uma forte concorrência de outros estúdios. Com o sucesso das animações computadorizadas da Pixar, outras empresas como a DreamWorks começaram a investir pesado em animação, lançando sucessos como “Shrek” (2001) e “Madagascar” (2005). Enquanto a parceria Disney•Pixar resultava em excelentes filmes, a Walt Disney Feature Animation trazia filmes relativamente mornos, que caíam no gosto do público, mas não combatiam a concorrência com a mesma agressividade.

Associando o sucesso da concorrência e dos filmes da Pixar à animação em computação gráfica, a Disney decretou que depois de “Nem que a Vaca Tussa” (2004) não produziria mais filmes em animação tradicional. Enquanto isso, a relação entre o estúdio do camundongo e a empresa de Steve Jobs não vinha sendo das melhores. O término do contrato de parceria estava previsto para acontecer depois de “Carros” (2006) e tudo indicava que os dois estúdios que trouxeram “Toy Story” (1995) à vida seguiriam caminhos distintos.

Tudo mudou quando Eisner saiu da companhia e Bob Iger assumiu como CEO. O executivo tratou de negociar com Steve Jobs a aquisição da Pixar e a estreitar a relação amistosa outrora presente entre as duas empresas. John Lasseter se tornou o Chief Creative Officer, tanto da Disney quanto da Pixar, e Ed Catmull se tornou presidente do Walt Disney Animation Studios. Essas três peças se mostrariam fundamentais para a revitalização da capacidade criativa dentro dessa divisão.

Uma das primeiras decisões que Lasseter tomou foi dar mais autonomia criativa aos diretores e dar luz verde a um projeto em animação tradicional: uma certa história sobre uma bela princesa e um sapo. Como o próprio Lasseter diz: “As pessoas não se apaixonam por nossos filmes pela técnica que usamos, elas se apaixonam porque contamos histórias boas e fortes com personagens cativantes, que divertem e emocionam”.

“Pra que descansar? Falta tão pouco. Eu quero que todo o esforço do papai seja recompensado.”

Tiana

Nessa nova conjuntura, a Disney lançou nos cinemas um conto clássico com uma abordagem totalmente diferente: “A Princesa e o Sapo” (2009). A história não se passa na Europa e não é sobre uma princesa frágil que beija um sapo e se casa imediatamente com o príncipe que habitava o anfíbio. A clássica história foi transportada para a Nova Orleans dos anos 20, cheia de jazz e blues, e a frágil princesa virou Tiana, uma moça empreendedora e ciente de que para realizar o seu sonho precisa trabalhar e correr atrás do que deseja.

O filme dirigido por John Musker e Ron Clements, os mesmos de “A Pequena Sereia” (1989) e “Aladdin” (1992), conta com cenários inspiradores, músicas maravilhosas e personagens carismáticos. O plano visual e sonoro evoca clássicos como “Bambi” (1942), “A Canção do Sul” (1946) e “A Dama e o Vagabundo” (1955), enquanto parte da atmosfera lembra “Cinderela” (1950) e “Peter Pan” (1953).

De um plano-sequência do céu remetendo a “Pinóquio” (1940), a uma perseguição na baía da Louisiana lembrando os cartoons clássicos dos anos 40, até um clímax à lá anos 90, o filme agradou aos fãs e mostrou que a Disney é capaz de fazer bons clássicos em 2D fazendo jus a sua tradição e trazendo uma nova roupagem.

A nova princesa é esforçada e decidida, sendo a primeira protagonista a abrir seu próprio negócio. Na mesma onda de Pocahontas e Mulan, Tiana é um tipo de princesa que faz questão de salvar o dia. Seu par romântico, ao contrário, é um príncipe falido e bonachão.

Anika Noni Rose cantando “Almost There“, ao receber o prêmio Disney Legend:

Os dois aprendem a cavar mais fundo e descobrem que estavam errados – Tiana por colocar sua meta acima de tudo e esquecer o que era realmente importante e o Príncipe Naveen por não ter nenhum propósito e só levar a vida na farra.

Outro ponto muito relevante da personagem é que ela é a primeira princesa afro-americana. Essa diversidade étnica, que começou com Jasmine, se mostrou essencial para a franquia. Fico muito satisfeito saber que o maior número possível de crianças vai perceber que o pó de pirlimpimpim também reluz sobre elas e que estão representadas através de personagens fortes com histórias empolgantes.

As principais canções de Tiana são “Almost There”, “When We´re Human”, e “Down in New Orleans – Finale.” A voz da princesa nos Estados Unidos é de Anika Noni Rose. Anika disse ter ficado muito emocionada ao ganhar o papel, pois realizou um sonho antigo, da época em que sua avó dizia que ela era um dos cogumelos dançantes de “Fantasia” (1940). No Brasil, Kacau Gomes fez um trabalho primoroso dando voz a Tiana, pesando a voz mais do que em Mulan.

“É o melhor dia da minha vida!”

Rapunzel

Depois de “A Princesa e o Sapo”, a Disney lançou “Enrolados” (2010), trazendo Rapunzel, sua décima princesa. A história clássica de Rapunzel é muito presente na educação infantil ao redor do mundo e muitos sempre estranharam que a Disney não tivesse uma versão da princesa que joga suas tranças para o valente príncipe salvá-la de uma bruxa perversa. Na verdade, Walt Disney já havia tentado fazer um filme de Rapunzel, mas o projeto foi engavetado.

O projeto voltou à vida nos anos 2000, sob o título de “Rapunzel Destrançada“, cujo desenrolo seria a história de uma menina dos dias de hoje transportada para a história de Rapunzel no papel da própria protagonista. Felizmente esse projeto foi cancelado e Glean Keane começou a trabalhar em uma versão mais fiel ao conto dos Irmãos Grimm. Michael Eisner, na época CEO da Disney, disse a Keane que o projeto seria em CGI e que ele teria o desafio de transportar as belas paisagens e desenhos feitos à mão para o universo do 3D.

Keane ficou tão empolgado com o desafio que mesmo quando Lasseter deu a ele a oportunidade de escolher se o filme seria em 2D ou não, o animador preferiu seguir com a versão 3D que simulasse a fluidez de uma animação tradicional. O resultado é um deleite visual, com cenários esplendorosos e uma história que mescla o melhor dos Irmãos Grimm com a tradição Disney e uma pitada de comédia essencial para a geração que iria aos cinemas assistir a película.

O filme fez um sucesso tanto comercial quanto de público muito grande, e Rapunzel se tornou a princesa do momento. Muito disso se deve a um retorno à simplicidade na própria personalidade da protagonista. Pocahontas, Mulan e Tiana são protagonistas muito fortes com propósitos por vezes muito complexos para que crianças muito pequenas consigam se identificar. Rapunzel representou uma volta às princesas clássicas, sonhando em conhecer as luzes flutuantes que a convidavam a descer da torre de onde era prisioneira.

Gravação de “I See the Light“:

Ela também se demonstra insegura perante a sua mãe postiça, a cruel Gothel. Assim como outras princesas anteriores, Rapunzel passa por um processo de crescimento e amadurecimento ao longo do filme, quando aprende a enfrentar a obscura figura materna que insiste em prendê-la na torre para obter vantagem sobre os seus cabelos mágicos.

Sem uma trama extremamente rebuscada, o filme ganha pontos pela simplicidade inteligente com que aborda a história e seus personagens. O par de Rapunzel é Flynn Rider, um ladrão sarcástico que encontra o amor através da princesinha loira e se arrepende da vida criminosa que levava. As principais canções são “When Will my Life Begin?” e “I See the Light”. Sua voz original é de Mandy Moore, e a brasileira de Sylvia Salustti.

“Eu sou Merida. E pela minha própria mão eu vou lutar!”

Merida

Saindo do universo de monstros, brinquedos e carros, o Pixar Animation Studios resolveu se aventurar pelo universo da Escócia Medieval e trazer sua primeira princesa: Merida . A protagonista do filme “Valente” (2012) tem cabelos ruivos volumosos, e pouco se preocupa com tradições ou modelos previamente estabelecidos. Com seu cavalo Angus, ela passa o tempo livre cavalgando pelas florestas, jogando arco e flecha e escalando montanhas sinuosas.

Ao contrário de Jasmine ou Pocahontas, que não queriam se casar com pessoas especificas, Merida recusa a ideia do casamento como um todo. Ela não se sente preparada para isso e quer viver a sua liberdade. Seu grande conflito emocional acontece com sua mãe, a Rainha Elinor. Diferente das mães de princesas anteriores, que em geral estavam mortas ou ocupavam posições secundárias, a de Merida está bem viva e pronta para ditar as regras da vida de sua filha. O coração do filme é a relação mãe e filha, afetada por uma atitude precipitada de Merida, e consertada pelo amor que sentem uma pela outra.

Touch the Sky“:

A animação conta com cenários deslumbrantes da Escócia medieval. Os artistas da Pixar foram até as terras escocesas estudar os cenários e o bom resultado é visível na tela. O filme pode não ter o mesmo charme das outras produções Disney e mesmo da Pixar, mas é um bom entretenimento e traz uma protagonista extremamente forte.

A princesa não possui nenhuma canção, no entanto a animação possui uma das canções mais belas já compostas para um filme Disney: “Touch the Sky”. O filme conta com uma trilha sonora belíssima de Patrick Doyle, que usou instrumentos típicos da região escocesa como a harpa celta, flautas e outros que ajudaram a criar o vínculo entre a trilha sonora e o mundo da protagonista. Merida é dublada por Kelly MacDonald, em inglês, e por Luisa Palomanes, a voz de Hermione Granger da saga Harry Potter e da Docinho de As Meninas Super Poderosas, em português.

“Encobrir. Não sentir. Encenação. Um gesto em falso e todos saberão.”

Elsa

Em Novembro de 2013, a Disney lançou “Frozen: Uma Aventura Congelante”. O filme quebrou todos os recordes e se tornou a maior bilheteria de animação de todos os tempos. Na época do lançamento, a fila para o Meet and Greet com as princesas nos parques ultrapassava cinco horas, meninas fantasiadas em toda parte não eram incomuns de se ver e o merchandise nas lojas esgotava em questão de horas. Não é à toa. A animação é realmente incrível e representa uma ruptura em relação à boa parte dos clássicos Disney, sem fazer isso através do escracho e da sátira.

O filme é levemente baseado no conto “A Rainha da Neve”, de Hans Christian Andersen. Enquanto em clássicos antigos como “A Bela Adormecida” (1959) temos a feiticeira como a grande vilã e o príncipe valente como o herói, em “Frozen: Uma Aventura Congelante” a feiticeira é ninguém menos que a própria protagonista, e o príncipe valente é um vilão perigoso.

O mais genial é notar como isso é feito de forma sutil, levantando leves críticas a um padrão que a própria Disney ajudou a criar no imaginário coletivo, mas sem fazer isso de forma grosseira. Assim como no filme anterior, o coração do filme não está na relação entre um príncipe e uma princesa, e sim, na relação entre as duas irmãs.

Abandonada por sua irmã mais velha quando criança, Anna sente falta da amizade de Elsa. O que ela não sabe é que Elsa guarda um grande segredo: ela é capaz de fazer gelo e neve. Esse poder a levou a causar um acidente com sua irmã, de modo que seus pais, o rei e a rainha, decidiram que o melhor seria afastar as duas. Anna é solar, ingênua, doce e vivaz, com o diferencial de que também é extremamente atrapalhada e insegura. Já Elsa é nobre e reservada, mas por dentro esconde medo e temor.

For the First Time in Forever – Reprise“:

“Eu sei que podemos resolver isso juntas. Não saio daqui sem você, Elsa.”

Anna

Anna está mais próxima de protagonistas como Ariel e Rapunzel, enquanto Elsa representa uma quebra total de padrões. A rainha nórdica é uma jovem atormentada pelo seu próprio potencial que ela não sabe usar, pois desde criança foi ensinada a escondê-lo. A superação de seus temores e o controle sobre o seu poder vem através do amor fraternal que sua irmã Anna sente por ela. A trama do filme dá margem a inúmeras interpretações sobre o processo de maturidade e aceitação de quem você é.

As personalidades das irmãs, tão diferentes, foram corroboradas pelas interpretações maravilhosas de Kristen Bell (de “Gossip Girl”) como Anna e a grande atriz da Broadway Idina Menzel como Elsa. No Brasil, Anna foi dublada por Erika Menezes e Gabi Porto nas canções. Já Elsa foi dublada por Taryn, cantora com forte em Blues e Jazz.

A franquia das Princesas Disney continua a se expandir. Como tudo que faz muito sucesso, algumas críticas e polêmicas foram levantadas. A maior e mais recente foi a representação da princesa Merida maquiada e com o corpo cheio de curvas no site oficial das Princesas. A crítica deste último foi tão pesada (inclusive pela própria diretora do filme Brenda Chapman) que fez com que a própria Disney emitisse um pedido de desculpas oficial e modificasse a imagem.

Apesar das críticas diversas, acredito que o mais importante são os valores de amizade, amor, dedicação e companheirismo que essas personagens representam para tantas crianças que entram em contato com suas histórias encantadoras. Com tantas personagens com personalidades tão distintas, marcadas pela época em que foram concebidas, as princesas da Disney representam a maior receita de vendas para a divisão Disney Consumer Products.

Coroação de Merida no Magic Kingdom, com todas as Princesas:

A variedade de personagens permite múltiplas identificações “ao gosto do freguês”. A doce e inocente Branca de Neve dos anos 1930 convive com a determinada e cheia de atitude Tiana dos anos 2000, passando pela curiosa Ariel, a inteligente Bela, e tantas outras que foram citadas. Todos têm a sua princesa preferida. E você? Quem são as suas princesas favoritas e por quê? Faça um TOP 3 e comente abaixo.

Escrito por Humberto Lima

Disney Lover desde quando pode se lembrar. Já sonhou em nadar no fundo do mar, explorar um castelo encantado, viajar de tapete mágico e pintar com todas as cores do vento. Entusiasta das dublagens, do cinema Hollywoodiano e das grandes animações, sejam elas antigas ou não.

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