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Clássicos na Crítica | Dumbo

 

 

 

 

 

Já vi um boi boiar
Vi gambá sambar
Vi uma cobra se requebrar
Mas fiquei um mês sem poder falar
De ver um elefante voar

 

“Dumbo”, lançado durante a maior e mais brutal guerra já ocorrida neste planeta, chamada de Segunda Guerra Mundial, foi somente um dos inúmeros clássicos lançados na época. Depois das baixas bilheterias de Pinóquio e Fantasia devido a Guerra que ocorria na Europa e a criação de um novo estúdio(usado até hoje), não foi nada fácil manter os Estúdios Disney em funcionamento, pois toda sua renda provinha somente das animações, não havia nenhum outro meio que gera-se receita. Porém, felizmente, tudo voltou aos eixos, graças ao incrível modo de Walt em contar belas histórias, de maneira simples e, principalmente, “barata”.

Este clássico Disney de apenas 64 minutos, mas com um legado gigantesco, tem como plano de fundo um circo. Lembra muito os conhecidos curtas “Silly Simphonies” pelo seu estilo “cartoon”.Mais que uma escolha, a simplicidade do filme veio como uma obrigação pela má fase dos Estúdios . Mesmo com todos os problemas eles fizeram uma das melhores animações da história, reconhecida até hoje por ser um marco do cinema, incluindo “Dumbo” em um novo patamar, ao qual estão filmes como: Pinóquio, Mágico de Oz, Branca de Neve, etc.

 

 

Distribuído pela RKO, este clássico baseado no livro de mesmo título, transborda em cores e simplicidade, mostrando um lado que ainda não havia se visto em longas da Disney. Logo de cara podemos observar a cena da cegonha levando os filhotes para suas respectivas mães, remetendo a clássica “história da cegonha”. Senhora Jumbo, recebe sua “encomenda” da cegonha depois de todos outros, recebendo uma ênfase especial, afinal dentro do “pacote” estava Dumbo, ou melhor, Jumbo Jr, o ícone dos elefantinhos. O interessante desta cena é como a cegonha é descrita realmente como uma “transportadora”. Outro ponto a ressaltar são as amigas da Senhora Jumbo, uma pior que a outra, típico grupo de madames fofoqueiras que ninguém gosta.

Na primeira cena em que Dumbo aparece, é onde se revela o que será a história de fato. No momento em que ele espirra, abrindo completamente suas orelhas gigantes e espantando todas as elefantas do circo, exceto sua mãe, fica claro que aquelas orelhas gigantescas trata-se de algo fora do normal para a espécie, fazendo de Jumbo Jr.(Dumbo) sinônimo de risada, para todos os outros. A partir deste momento que a história nos conquista, pois torcemos para que nosso amigo Dumbo consiga mostrar seu valor a todos. Pois não importa como sejamos fisicamente, todos temos algo em especial que nos destacamos, no caso de Dumbo suas orelhas, que lhe permitem voar. Algo, simplesmente, incrível por se tratar de um elefante. E afinal, quem nunca se sentiu em uma situação parecida com a Dumbo em algum momento da vida, excluído pelos demais.

 

 

O único que não o verá de tal maneira é Timóteo, um ratinho companheiro de Dumbo durante toda a história. Esse ratinho acaba se tornando o melhor e único amigo de Dumbo, auxiliando Dumbo em todos momentos difíceis em que ele se encontra no decorrer do filme. A amizade dos dois é outro fator que conquista o público durante o filme, especialmente de um elefante por um rato, dois seres opostos. Havia uma cena em que Timóteo explica a razão do medo dos elefantes em relação aos ratos, é simplesmente demais. Infelizmente, Walt achou que saia muito do foco do filme, por isso foi cortada, ficando disponível somente no Blu-ray.

Eu, como fã do filme, não poderia deixar de citar a famoso sequência do filme chamada: “Pink Elephants on Parade”. Inspirada no Surrealismo, esta sequência, uma das mais loucas de toda a história da Disney, mistura elefantes(não necessariamente rosa)com qualquer coisa que se possa imaginar. A sequência inicia após Dumbo e Timóteo beberem champagne pensando ser água, depois disso nem preciso falar o resto… Apesar de ser uma mistura geral, esta foi primeira sequência pensada pelos animadores, em sua grande maioria de Nova York, ainda na produção do roteiro.

 

A Parada dos Elefantes Cor-de-rosa:

 

Algo muito explorado durante o filme pelos animadores é o uso das sombras. Em poucos momentos se observa pessoas durante o filme, porém nos poucos em que aparecem são através de suas sombras, meio que deixando-os de lado e mostrando que o foco do filme é realmente nos animais, e não no Ser Humano, como havia sido em Branca de Neve e Pinóquio. Ainda sobre as sombras, é importante ressaltar a cena em que Timóteo vai “implantar” uma idéia no dono do circo enquanto ele dorme. Neste momento o uso da sombra serve mais para fazer uma referencia ao Expressionismo alemão, especificamente à clássica cena de “Nosferatu”, do que qualquer outra coisa.

 

Referência com cena de “Nosferatu”:

 

Em “Dumbo” também há personagens que pouco aparecem, porém quando aparecem tornam a história mais divertida e aumenta mais ainda meu orgulho por este clássico. É o caso dos Urubus, que fazem uma curta aparição nos momentos finais do filme, mas com tempo suficiente para cantarem a melhor e mais cativante canção do longa na minha opinião, chamada: “When I See An Elephant Fly”. O modo como foram animados os urubus é sensacional, tiveram como inspiração os “Jackson Brother’s”.

 

Canção: When I see a Elephant Fly:

 

Para finalizar, sempre é bom lembrar que “Dumbo” recebeu duas indicações ao Oscar, melhor canção com “Baby mine” e melhor trilha sonora. Acabou levando só uma estatueta, a de melhor trilhas sonora. Um sucesso de bilheteria e crítica, que poderia ter sido ainda maior, não fosse o ataque à base naval de Pearl Harbor, um episódio triste na história, que acabou desencadeando um episódio mais triste ainda. Mas não será por isso que o elefantinho de orelhas grandes chamado “Dumbo” e seu fiel escudeiro Timóteo serão esquecidos, mais do que isso, eles serão lembrados para sempre por trazerem esperança ao Mundo, e mostrarem que é possível conviver com as diferenças.

 

Canção indicada ao Oscar: Baby of Mine:

 

 

Vi tanta coisa de duvidar
Me mostaram coisas até
Que contudo não dá pé
Coisa que nunca acreditei
Ouvi tanta fábula que nem liguei
Já vi relógio andar, jacaré correr
Já vi até boato correr…
Mas fiquei um mês sem poder falar
De ver um elefante voar

 

Bônus Especial! Crítica em Vídeo do Clássico “Dumbo“:

 

 

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Escrito por Gregório da Luz

Sou um colecionador de DVD's e BD's, principalmente Disney. Atualmente mantenho meu canal no Youtube e meu Blog.