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TOY STORY 3 – Crítica de Fã para Fã

Quando as luzes do cinema apagaram hoje na sessão de Toy Story 3, senti uma enorme alegria por ter a certeza de que, nas cerca de duas horas seguintes, iria rever personagens, histórias e, por que não, velhos amigos que por tanto tempo senti falta. E estava absolutamente certo. O resultado de Toy Story 3 foi algo muito difícil para mim, fã desde pequeno, de descrever. Estou tendo sérios problemas aqui para manter a calma e fazer um texto coerente. Minha vontade era abrir a janela e gritar para todos os prédios vizinhos ouvirem que hoje vi um dos meus filmes favoritos pela primeira vez! Mas enfim, vou me ater aos fatos e falar do que realmente interessa.

Toy Story 3 é uma obra-prima. Sem sombra de dúvidas, como canso de repetir para quem pergunta, a Pixar é o estúdio mais genial e competente que o cinema possui atualmente. Desde a parte visual e gráfica até todo o desenvolvimento da trama, o filme não deixa nada a desejar. Eu disse nada! Se antes de assistir eu já esperava achar o filme maravilhoso, como sempre espero de um filme Pixar, depois que terminou percebi o quanto ele superou as minhas expectativas em todos os sentidos.

A história se passa dez anos depois dos dois primeiros filmes. Andy, agora com 17 anos, está indo para a faculdade e sua partida gera desespero nos seus velhos brinquedos, agora esquecidos dentro do escuro baú do seu quarto. A grande incerteza é saber que destino eles terão: o sótão ou o lixo. Como de costume, mal-entendidos acontecem e todos vão parar por engano na creche Sunnyside. Já conformados com uma vida sem Andy, eles são rapidamente recebidos com festa e acolhimento pelos outros brinquedos, representados pelo urso de pelúcia Lotso. Porém, aos poucos percebem que Sunnyside não é o local agradável e cheio de crianças meigas que tiveram como primeira impressão. Sob as ordens de Lotso, que revela uma personalidade inesperada, os brinquedos do Andy, com exceção de Woody, vão parar em uma sala onde crianças muito pequenas brincam de forma violenta e irracional, puxando, jogando e quebrando tudo que vêm pela frente. A partir daí o principal objetivo deles, liderados pelo cowboy,  é fugir de Sunnyside e encontrar um novo lar e uma nova criança para chamar de dono. Claro que a trama vai muito além do que uma simples missão de fuga. Em todo o filme fica claro o quanto os brinquedos, principalmente Woody, são devotados e leais a Andy. Eles fazem de tudo (tudo mesmo) para voltar a revê-lo quando, já em Sunnyside, descobrem que ele está a procura deles.

Confesso que esperava mais do 3D no filme. Apesar da sensação de profundidade que algumas cenas nos passam, o efeito quase não é percebido durante boa parte do longa, portanto acho que em 2D teríamos a mesma sensação que em terceira dimensão. Porém vale a pena pagar mais caro simplesmente para assistir ao curta Dia e Noite que antecede o filme. Percebi que ele foi idealizado para ser visto em terceira dimensão. Além de belíssimo visualmente, possui uma mensagem nas entrelinhas muito interessante e que me fez ver como a Pixar se preocupa com a qualidade de tudo que cria, inclusive seus curtas-metragens, normalmente ignorados pela grande massa, que só quer ver mesmo o filme.

Voltando a Toy Story, a parte técnica do filme é perfeita. Todas as cenas são de um realismo e beleza indescritíveis. Os brinquedos possuem um tratamento impecável, com direito a encardidos, arranhões, manchas, entre outras coisas. Sem falar na reprodução de materiais como plástico e, o mais impressionante na minha opinião, o pêlo de Lotso, idêntico ao de um urso de pelúcia de verdade.  O cenário foi outro ponto forte da animação. Ao vermos Sunnyside pela primeira vez, a sala de cores vivas, primárias e alegres nos passa a sensação de segurança e felicidade, assim como acontece com os brinquedos. Porém, quinze minutos depois, ao vermos o que realmente aguarda os brinquedos na creche, toda a aparência do lugar muda de algo acolhedor para algo hostil e em vários momentos assustador.

Por falar em assustador, pela primeira vez senti medo em um filme da Pixar. Não medo a ponto de ter pesadelos ou ficar assombrado, como em um filme de terror, mas a trama em vários momentos assume tons altamente tensos e até apavorantes (o macaco que é o olho-que-tudo-vê de Lotso é irritantemente assustador com aquele grito agudo). Aliás, a história é eclética o tempo todo, variando desse suspense para o humor, sempre na medida, como de praxe no estúdio (o Ken tem cenas muito boas, assim como o Sr. Cabeça de Batata). Sem falar que nunca a nostalgia foi tão bem utilizada em uma sequência quanto nesse filme. Até o Buzz voltando a achar que é um patrulheiro das galáxias continuou engraçado!

Toy Story 3 é uma montanha-russa de sentimentos que te deixa tenso, te faz rir e cair em lágrimas como um bebê em pequenos intervalos de tempo.  Não só pelo lado nostálgico da série que, como disse, foi bem aproveitado no filme, mas por nos fazer esquecer em vários momentos que estamos vendo um filme sobre brinquedos que falam. Em muitas partes da história nos vemos na pele daqueles pequenos indefesos e desesperados e nos identificamos com seus medos e traumas. A maioria dos filmes Pixar nos faz entrar na trama como se o filme falasse de nós mesmos, mas nunca me vi tão retratado na tela como hoje. Sempre fui uma criança cuidadosa, não só com meus brinquedos, mas com tudo que tive. Isso sempre fez eu me sentir retratado na pele de Andy: inventando histórias mirabolantes de aventuras épicas com meus brinquedos. Porém nesse filme me vi retratado não mais na criança brincando com seus brinquedos, e sim no garoto prestes a virar adulto. Ao se ver longe daqueles brinquedos, seus amigos e companheiros por tantos anos, vi em Andy um certo medo de assumir que ele não pode mais brincar com eles. Vi nele a mesma tristeza que os próprios brinquedos sentem ao se afastar dele. Tristeza por não poder mais se trancar no quarto por uma tarde e contar a história de como Woody, Jesse e Buzz salvaram o mundo dos planos do Malvado Senhor Porcão e do Sr. Cabeça de Batata. Mas acima de tudo vi em Andy medo de crescer. A cena final do filme deveria, na minha opinião, entrar para a história do cinema. Nunca uma relação de amizade, muitas vezes ridícula para adultos como nós, foi retratada com tanta delicadeza, cuidado e emoção. Pois, apesar de brinquedos, para Andy eles sempre foram amigos, companheiros que sempre estiveram ao seu lado.

A Pixar realmente conseguiu fazer história de novo, assim como fez com o primeiro longa dessa trilogia, sendo a pioneira da animação digital.  Eles mostraram mais uma vez como uma verdadeira sequência deve ser, dando uma aula a muitos estúdios que insistem em franquias prolongadas apenas para lucrar, não só com humor forçado mas também com histórias fracas (sim, estou questionando a volta sem sentido e sem necessidade de um certo ogro, mais que ultrapassado, aos cinemas). Se eu estava meio preocupado com as continuações de Carros e Monstros S.A., novos projetos do estúdio nos próximos dois anos, agora posso ficar tranquilo, pois eles me mostraram que realmente sabem dar sequência a uma história de forma majestosa. Três horas depois de ter começado essa crítica, espero ter conseguido expressar nessas humildes palavras tudo que se passou pela minha cabeça hoje. Fiquei realmente muito feliz com esse filme e com essa conclusão de uma história que tanto me marcou, desde criança. Afinal, de que mais esse filme trata além de infância e, como lembra também a nostálgica música, amizade?

“O tempo vai passar
Os anos vão confirmar
Às três palavras que eu proferi
Amigo estou aqui”


com uma personalidade inesperada

Escrito por Felipe Andrade

Estudante de Administração, nerd, cinéfilo, colecionador e uma eterna criança. Não exatamente nessa ordem...

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