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Tomorrowland | Quando uma ideia de Walt Disney se torna uma história

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Tomorrowland foi criada por Walt Disney como uma área da Disneyland em 1955. Era uma época em que os americanos imaginavam um futuro otimista. Ao longo dos anos, especialmente nos anos 1970, a visão das pessoas sobre o futuro começou a ficar sombria. O diretor Brad Bird comenta, “Sempre que há uma tela em branco, há duas maneiras de vê-la; uma é o vazio e outra é a grande abertura a possibilidades. E é assim que eu gosto de ver o futuro — como uma grande possibilidade. É uma visão que se perdeu em termos de ver o futuro”.

Essa mudança intrigou o escritor e produtor Damon Lindelof. Então, quando começou a sintetizar a história de Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível, ele analisou o que Tomorrowland significava e como isso podia ser representado na história. “Eu realmente queria recapturar esse primeiro otimismo”, comenta Lindelof.

A história de Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível começou com uma caixa com uma etiqueta “1952”, supostamente descoberta por acaso nos arquivos dos Walt Disney Studios. A caixa misteriosa continha todo tipo de modelos e plantas, fotografias e cartas fascinantes que pareciam ter relação com a origem de Tomorrowland e da Feira Mundial de 1964. Lindelof ficou animado com a descoberta e recorda, “Eu comecei a imaginar que o conteúdo da caixa era um guia para uma história secreta que ninguém conhecia. Mas se era isso, qual seria essa história? E a resposta mais óbvia para mim era que de fato existia um lugar chamado Tomorrowland que não era um parque temático, mas que existia em algum lugar do mundo real”.

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Lindelof começou a desenvolver o enredo pesquisando a história da Disney e seu criador, que o levou a pesquisar o envolvimento da empresa na Feira Mundial de 1964. “Walt Disney era um futurista no verdadeiro sentido modernista de meados do século”, diz Lindelof. “Ele era muito otimista. Ele acreditava que a tecnologia era a chave para um mundo melhor. Ele também acreditava na tecnologia como uma forma de criar ótimos entretenimentos. Para a Feira Mundial de 1964, a Walt Disney Company criou três atrações, mas é a It’s a Small World que nós mais nos lembramos. Embora meio ultrapassadas para os padrões atuais, em 1964, as atrações Carousel of Progress e Great Moments with Mr. Lincoln foram revolucionárias no modo como usaram robôs e tecnologia para criar uma atração rica e temática”.

Lindelof acrescenta, “E também havia um otimismo radical subliminar. Isso foi 1964, o mundo tinha só flertado com a catástrofe termonuclear como resultado da Crise dos Mísseis de Cuba, e a canção ‘It’s a Small World’ foi escrita em resposta a um mundo que havia caminhado em direção a uma guerra nuclear, mas retornara e agora estava concentrado em reconhecer que nós não precisamos nos destruir. A letra —“It’s a world of hopes and a world of fears” (É um mundo de esperanças e um mundo de medos) — mexia com essa ansiedade. Por ser tão bonitinha e sentimental atualmente, eu achei fascinante o fato de a atração ter sido codificada com aquela angústia do mundo real. Havia uma mensagem política radical ali, e também muito idealista”.

O sucesso da Feira Mundial permitiu que Disney arrecadasse fundos para seu próximo grande projeto, o Experimental Prototype Community of Tomorrow, ou Epcot. A visão de Disney era de uma cidade modelo que seria um contínuo experimento de desenvolvimento urbano e organização; era para ser a verdadeira Tomorrowland onde a tecnologia se unia ao planejamento urbano para criar um ambiente otimizado para se viver. Contudo, Walt Disney morreu antes de o Epcot poder ser construído, e a Disney Company decidiu que não queria administrar uma cidade sem as ideias dele. O conceito da comunidade modelo foi modificado para se tornar uma grande e “permanente Feira Mundial”, com dois pequenos distritos residenciais para funcionários e suas famílias. O parque ainda existe hoje em Lake Buena Vista, na Flórida.

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Walt Disney estava constantemente inovando”, diz o diretor Brad Bird com admiração. “Ele nunca teve medo de ser o primeiro a fazer alguma coisa. Ele foi um dos primeiros na animação a introduzir som e cor. Fantasia teve som estereofônico 15 anos antes de qualquer um ter. Quando ele começou a trabalhar na Disneyland, todos acharam que ele era louco. Disney estava sempre saltando de aviões e improvisando paraquedas enquanto caía. Ele se empolgava com coisas como viagem espacial; você só precisa assistir aos especiais que ele fez com Ward Kimball no final dos anos 1950 para ver que ele de fato se empolgava com a ideia de progresso. Ele tinha uma enorme curiosidade e Tomorrowland, a Feira Mundial, o Epcot, tudo representa isso”.

Bird acrescenta, “Uma das citações de Disney foi, ‘Eu não faço filme para ganhar dinheiro; eu ganho dinheiro para fazer filmes’. Ele era um cara perfeito? Não. Mas quando você vê o quanto ele realizou na vida é simplesmente notável. Então eu o vejo como um inovador. Ele tinha uma visão muito proativa e positiva do futuro. Eu gosto de pensar que este filme é algo que ele teria gostado”.

Quando a pesquisa de Lindelof estava concluída, ele contatou Jeff Jensen para que o ajudasse a desenvolver a história. “Quando eu estava fazendo LOST”, diz Lindelof, “Jeff trabalhava como jornalista na Entertainment Weekly. Ele tinha uma mente incrivelmente criativa. Ele assistia a Lost toda a semana e tinha teorias mirabolantes que eram tão criativas que eu muitas vezes me vi desejando ter sido esperto o bastante para fazer a série sobre como Jeff achava que ela era. Então, ele era a pessoa certa para me ajudar a criar uma história fictícia que ligasse todos os itens que eu encontrei na caixa”.

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Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível é um filme emblemático Disney”, diz o produtor executivo Jeff Jensen, que tem o crédito da história junto com Bird e Lindelof. “Ele é baseado nos valores de Walt Disney: você verá alguns efeitos especiais incríveis e uma narrativa bem criativa. E nós tentamos ser fiéis ao espírito incorporado em locais como Tomorrowland e Epcot— locais que Walt imaginou que desenvolveriam constantemente novas ideias para o futuro. Walt e seu trabalho estavam sempre mudando, sempre evoluindo, porque na cabeça dele o futuro não era estático; o futuro é um projeto que nunca acaba”.

Lindelof e Jensen escreveram uma história detalhada, depois Brad Bird e Damon Lindelof saíram para almoçar e, de acordo com Lindelof, “Acabou que Brad conhecia muito sobre Walt Disney, e a parceira se formou. Brad e eu começamos a escrever juntos a partir desse ponto”.

É verdade que o diretor e escritor Brad Bird conhece bem o mundo da Disney e não é só de seu trabalho em filmes anteriores. Quando tinha onze anos, ele começou a se interessar por animação e visitou os Walt Disney Studios. Ao longo de três anos fez um filme de animação de quinze minutos que chamou a atenção do Disney Animation que ofereceu ao menino, então com catorze anos, um mentor – o famoso animador Milt Kahl. Bird ficou com um amigo da família em Los Angeles e aproveitou a oferta única.

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Comentando sobre a história de Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível, Bird diz, “É uma história não tradicional e os protagonistas são atípicos. É uma chance de trabalhar em grande escala, mas de fazer algo que seja muito surpreendente. Ele incorpora os dois aspectos do futuro — o assustador e o maravilhoso — que são de alguma forma irreconhecíveis, então é interessante”.

No filme, a premissa de que a cidade futurista de Tomorrowland pudesse de fato existir presta uma homenagem à visão de Walt Disney tanto de Tomorrowland da Disneyland como do Epcot da Walt Disney World, onde tecnologias sempre em evolução são apresentadas com ideias que fazem do mundo um lugar melhor para todos. Mas muitos acreditam — embora, em geral, seja considerado um mito — que Walt Disney fazia parte de um grupo secreto de pensadores e otimistas e que Tomorrowland possa de fato existir em outra dimensão como resultado direto das ideias avançadas e futuristas que o grupo desenvolveu.

Como conta a história, o genial engenheiro estrutural francês Gustave Eiffel, que projetou e construiu a famosa Torre Eiffel, construiu um apartamento particular para si dentro dela, onde mais tarde ele conduziu observações meteorológicas e realizou várias experiências científicas. Diz a lenda que num dia de outono de 1889, Eiffel secretamente reuniu três de seus mais ilustres colegas — o americano Thomas Edison, o francês Jules Verne e o sérvio Nikola Tesla — no apartamento para discutir o futuro.

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Naquela noite, muitos acreditam que os quatro homens formaram uma organização altamente secreta, chamada de Plus Ultra, que moldaria o século seguinte e além. “Esses grandes pensadores estabeleceram um plano para construir uma cidade do futuro”, sugere o roteirista Damon Lindelof, “que não poderia ser controlada por governos ou interesses corporativos; seria a maior fonte de ciência utópica do mundo. Mas duas Guerras Mundiais os detiveram, e só nos anos 1960, depois que Walt Disney se juntou à organização, esse mundo secreto de inovação tecnológica foi construído, mas oculto do ‘mundo real’”.

Chamada de Tomorrowland em referência à seção da Disneyland que Walt Disney havia construído uma década antes para celebrar a tecnologia, esta Tomorrowland alternativa desenvolveu tecnologias que o Plus Ultra vagarosamente apresentou ao mundo. “Eles tinham celulares nos anos 1930”, supõe Lindelof, “viagem espacial 20 anos antes disso, e foguetes avançados uns 60 anos antes de nós. Eles construíram uma cidade fascinante nos anos 1960, e ela está lá desde então”.

Tomorrowland é indicativo daquela “disposição para fazer a coisa certa” das corridas espaciais dos anos 1950 e 60, quando “havia uma sensação de que o futuro era algo que poderia ser construído”, diz o produtor executivo Jeff Jensen, “que poderia tornar as coisas melhores, tecnologicamente, politicamente e socialmente; nós poderíamos fazer um mundo melhor. ‘Plus ultra’ que em latim significa ‘mais além’; era o mantra dos exploradores espanhóis. Eiffel e seus colegas se consideravam exploradores, não de novas terras, mas do potencial humano. Walt Disney se encaixava perfeitamente na organização, e foi recrutado porque incorporava essa ideia que de o futuro é aquilo que estamos sempre procurando”.

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“Mas as coisas mudaram e hoje o futuro é muito mais nebuloso e incerto. Nós somos cínicos sobre o progresso; e céticos de que as coisas podem melhorar. Nós pensamos no futuro como algo que vai acontecer conosco, não como algo que estamos criando. É claro, nem tudo sobre o passado é ótimo, foi tudo muito mais complexo e político do que sabemos, e nem tudo deve ser levado adiante. Mas será que podemos recuperar algo desse futurismo idealista de meados do século? Alguma coisa daquilo é relevante para o mundo de hoje?”, finaliza.

Algo foi perdido”, acredita o diretor Brad Bird. “Pessimismo se tornou a única maneira aceitável de ver o futuro, e eu discordo disso. Eu acho que tem um pouco de conformismo nisso. Se todos pensarem assim, então isso se tornará realidade. Isso causa passividade: se todos acharem que não há motivo, então deixam de fazer várias coisas que poderiam trazer um ótimo futuro. Quando eu era criança, embora houvesse muitas coisas negativas acontecendo, como sempre há e haverá, era aceitável ver o futuro de maneira positiva, acreditar que a vida seria melhor, que o racismo teria fim, que a desigualdade acabaria, e por aí vai. Agora há uma espécie de desdém cósmico gigante e eu odeio isso. Eu não acho que estamos no planeta para fazer isso. Nós temos o poder de ser responsáveis e ir para outra direção”.

Tomorrowland. “Essa palavra é muito evocativa de todos os temas de que estamos falando aqui”, conclui o produtor executivo Jeff Jensen. “É evocativa do futuro. É evocativa da noção de progresso. É evocativa da ideia de uma cultura trabalhando em conjunto — não necessariamente sem desacordos, mas criativamente, para construir o futuro que queremos. “Estamos espalhando essa palavra e pedindo que as pessoas reajam a ela”.

A Visão do Futuro de Walt Disney:

Do diretor ganhador de dois Oscar® Brad Bird, e estrelada pelo ganhador do prêmio da Academia® George Clooney, chega a eletrizante aventura de mistério “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível”. Ligados por um destino, Casey (Britt Robertson) uma adolescente otimista e vibrante com curiosidade científica e Frank (Clooney) um gênio desiludido embarcam em uma missão repleta de perigos para desvendar os segredos de um local enigmático em algum lugar no tempo e no espaço conhecido como “Tomorrowland”. O que eles precisam fazer lá mudará o mundo — e eles — para sempre.

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Escrito por Lucas

Um grande aficionado por cinema, séries, livros e, claro, pelo Universo Disney. Estão entre os seus clássicos favoritos: "O Rei Leão", " A Bela e a Fera", " Planeta do Tesouro", "A Família do Futuro" e "Operação Big Hero".