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Demolidor | Crítica da Segunda Temporada

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“Eu faço o que você não pode. Você bate e eles se levantam. Eu bato e eles continuam no chão.”

Frank Castle

Quando a primeira temporada de Demolidor estreou na Netflix, no ano passado, mudou tudo o que conhecíamos como sendo a maneira correta de se fazer série de televisão de sucesso sobre super-heróis. Não apenas pelo modo como a rede lança seus episódios, todos os treze de uma vez, o que torna o seriado em um longo filme de treze horas, como por seu novo estilo de narrativa.

Demolidor rapidamente agradou fãs de quadrinhos, e espectadores que ainda não conheciam o personagem, com suas cenas de violência e trama de investigação. O seriado abriu o caminho para que Jessica Jones surgisse e quebrasse ainda mais estereótipos, apresentando uma heroína original e, mais importante, humana.

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A série logo garantiu uma nova temporada do personagem solo, que irá se unir a outros vigilantes em um futuro seriado chamado Defensores. Mas será que uma obra com tantos acertos, tão bem-avaliada, é capaz de impressionar e inovar novamente com sua segunda temporada?

A crítica a seguir é dividida em duas partes: a primeira pode ser lida tranquilamente, pois não há spoilers. É uma boa chance de conhecer um pouquinho o universo; porém, a segunda está recheada de spoilers e será melhor aproveitada após assistir toda a temporada. Mas não se preocupe, eu avisarei quando a segunda parte chegar.

Trailer da segunda temporada de Demolidor – Primeira Parte:

A trama começa meses depois do trio de amigos Matt Murdock (Charlie Cox), Foggy Nelson (Elden Henson) e Karen Page (Deborah Ann Woll), terem tirado o mafioso Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) do poder do bairro nova-iorquino, Hell’s Kitchen. Os três terão que lidar com brigas de gangues enquanto tentam manter o escritório de advocacia funcionando. Além disso, nenhum deles imaginava que um novo vigilante surgiria. Um vigilante que segue suas próprias regras, como Frank Castle, conhecido como o Justiceiro.

Frank é interpretado pelo ator Jon Bernthal, que faz um excelente trabalho. Ele não apenas convence como militar, como também nos faz simpatizar com sua história a ponto de entendermos suas atitudes, e até mesmo concordarmos com elas. Os autores mais uma vez apresentaram um antagonista de maneira humanizada, assim como fizeram com o Rei do Crime. Fica muito difícil continuar torcendo para Matt após Castle aparecer.

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“Você sabe que está apenas a um dia ruim de ser como eu.”

Frank Castle

O segundo arco da temporada envolve o surgimento de Elektra Natchios, a assassina que também é o icônico par romântico de Murdock. A opinião dos fãs se dividiu quanto à atuação da atriz: alguns adoraram o trabalho de Elodie Yung, enquanto outros odiaram. Como uma obra audiovisual não pode contar com a obra original para funcionar, ignoro os quadrinhos por um minuto, e digo que Yung me convenceu. Conseguiu transparecer inocência e maldade de maneira verossímil, e inseriu no Universo Marvel uma personagem feminina diferente das quais estamos habituados.

Na realidade, Frank e Elektra são apenas anti-heróis. O papel de vilão da temporada fica nas mãos do grupo de ninjas assassinos, conhecido como a Mão — já mencionado na primeira temporada, nos episódios nos quais aparecem Nobu e Stick. Aliás, vários personagens da primeira temporada aparecem novamente. E em diversos momentos, temos menções de personagens de outras séries como Jessica Jones e Luke Cage, o que começa a unir as pontas soltas.

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Além disso, o cenário político e social de Hell’s Kitchen começa a montar a discussão que será explorada no próximo filme do Marvel Studios, Capitão América: Guerra Civil (28 de Abril de 2016). É até mesmo estranho pensar que o filme não contará com a participação de Demolidor, já que a questão afeta diretamente sua ideologia — isso, claro, se seguirem a premissa dos quadrinhos.

A censura dezoito anos ainda é muito bem justificada, pois a série continua cheia de cenas gráficas e violentas. Outro elemento presente, tão amado pelos fãs, são cenas de lutas bem coreografadas e sem cortes. Inclusive, uma delas lembra muito a cena tão comentada do corredor, que ocorre no segundo episódio da primeira temporada. Se ficou curioso, dê uma olhadinha no vídeo abaixo.

Cena da escada: 

A primeira temporada apresentou um universo novo e inovou em sua narrativa, nos surpreendeu. Nós nos afeiçoamos aos personagens, e é natural que, mesmo com muita antecipação e empolgação, o feito não se repita uma segunda vez. Todo o ritmo e dinâmica entre os personagens mudou, e nos faz sentir saudades dos primeiros episódios, com Fisk surgindo e o trio se formando.

Isso não quer dizer que a segunda temporada seja ruim, longe disso. Justiceiro nos cativa rapidamente e, em um piscar de olhos, os episódios acabam. Demolidor continua sendo, na minha opinião, a melhor série de heróis que já foi feita e mal posso esperar para Matt se unir a Jessica, Luke e Daniel. Então, se ainda não assistiu, corra e comece sua maratona de vinte e seis episódios!

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“Olhe no espelho, e se enxergue pelo que realmente é. Você é um nova-iorquino. Um herói. Essa é sua Hell’s Kitchen, Bem vindo em casa.”

Karen Page

A partir de agora, irei comentar pontos chaves da trama. Por isso, há informações cruciais sobre o enredo da segunda temporada. Se você ainda não terminou a série, pode preferir parar por aqui e voltar depois para deixar sua opinião. Mas não se esqueça de voltar!

Assim como ocorre em todas as séries, a nova temporada de Demolidor não foi feita apenas de acertos. Um dos elementos que não gostei foi o Justiceiro. Calma, calma! Deixe-me explicar! Eu a-do-rei o personagem e sua caracterização. Além disso, ele estava presente em diversas cenas excelentes, como: a luta na prisão, na qual ele enfrenta sozinho diversos criminosos violentos; ou o momento no qual ele explode e assume seus crimes no tribunal; e ainda a sequência na qual ele aterroriza um hospital inteiro.

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O que não me agradou foi ele ter sido menos explorado do que imaginava. Sua trama se resolve rapidamente para que dê tempo de Elektra ser apresentada. Isso não seria problema se o seriado fosse tradicional, com vinte e dois episódios, mas com apenas treze, tudo se resolve se maneira apressada. Enquanto assistimos, aguardamos com ansiedade por sua próxima aparição. Felizmente, o final indica que o vigilante continuará presente em Hell’s Kitchen. Quem sabe uma série solo não vem por aí?

O arco que nos apresenta o grupo a Mão, também foi um problema, a meu ver. Foi um pouquinho “mágico” demais. Até então, a série tenta nos convencer que todos aqueles eventos seriam possíveis no mundo real, nos fazia sentir como se Matt pudesse estar em nossos telhados. No entanto, com essa trama, nos lembrou que esse é um universo de seres super-poderosos, nos tirou do mundinho que criou. Esse tipo de abordagem funciona melhor quando utilizada em quadrinhos, onde Demolidor e mutantes dividem o mesmo espaço. Porém, na série, ficou deslocada.

Trailer da segunda temporada de Demolidor – Segunda Parte:

A quase ausência da dinâmica que alternava a vida de advogado de Matt e sua identidade secreta, foi outro ponto negativo. Ele nem ao menos parece se importar com a distância que surgiu entre ele, Foggy e Karen. Sim, compreendo que os três precisavam ter ideias divergentes e se afastar para tornar a jornada do herói mais difícil, e sei que o conflito deve se resolver no futuro. No entanto, sem uma vida normal, Matt se torna apenas um herói comum, com a clássica premissa “preciso ficar sozinho, vocês não me entendem”. Ele perdeu sua fragilidade e seu lado humano, elementos que o diferenciava.

Ok. Hora de comentar os pontos altos nessa temporada, e foram muitos! Foi ótimo ver os personagens coadjuvantes ganharem vida própria. Karen e Foggy mostraram grande personalidade desde os primeiros episódios da série e, na nova temporada, roubam a cena em diversos momentos. Os dois provam que não são apenas os sidekicks de Matt. Algumas das cenas mais bacanas envolviam Foggy, como: seu discurso de abertura do julgamento de Castle; e a briga entre dois criminosos que ele evita com suas palavras. Enquanto isso, Karen se destaca como jornalista investigativa e, constantemente, aumenta nossa curiosidade sobre seu passado.

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“Na prisão, só há lugar para um Rei do Crime.”

Wilson Fisk

A cereja do bolo foi a volta do Rei do Crime. Eu não sabia que Fisk voltaria à trama, pelo menos não imaginava que aconteceria nesse temporada. A tensão que Vincent adiciona às cenas é inacreditável. Nenhuma cena de tiroteio de Castle se compara a um momento de fúria de Fisk. A conversa entre ele e Matt foi uma das melhores cenas das duas temporadas e só posso imaginar o quão legal será ver o que o personagem fará quando sair da prisão.

Por fim, temos a cena final, na qual Matt revela para a Karen ser o Demolidor. É quase desumano a Netflix nos fazer esperar meses pra saber a reação da moça. Com Fisk se reerguendo, o trio desfeito, e uma Guerra Civil se aproximando, só posso terminar esse texto dizendo: que venha uma terceira temporada. E por favor, venha depressa!

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Escrito por Caroline

Designer Gráfico, Disney freak, viciada em café, quer ser roteirista e princesa quando crescer. Têm mais livros do que deveria e leu mais vezes “Orgulho e Preconceito” do que têm coragem de admitir.