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Uma análise das possíveis causas do fracasso de O Bom Dinossauro, da Pixar

Vinte e seis anos e dezesseis longas-metragens. O Pixar Animation Studios possui um histórico invejável, com uma impressionante lista de sucessos. De Toy Story (1995) a Divertida Mente (2015), o estúdio brilhou nas bilheterias ao redor do globo terrestre. Porém, O Bom Dinossauro (2015) não teve a mesma sorte.

Lançado em 25 de Novembro de 2015 nos Estados Unidos, e em 07 de Janeiro de 2016 no Brasil, a animação sobre Arlo e Spot não satisfez as expectativas financeiras do estúdio e dos especialistas. Perto de sair de cartaz dos cinemas, o filme fez apenas US$313 milhões mundialmente, com US$121 milhões provenientes do país de origem.

Para nós, meros mortais, a quantia obtida é surreal. No entanto, o número pode ser considerado o primeiro fracasso da equipe do Luxo Jr. Apesar de valores específicos não terem sido revelados, analistas presumem um gasto de US$200 milhões na produção e mais US$150 milhões na divulgação — totalizando US$350 milhões.

Ou seja, Arlo ainda deve cerca de cinquenta milhões de dólares para o Mickey Mouse. Em tese, sim, mas a conta não é tão simples. Uma das variantes a ser considerada é o país. O estúdio recebe apenas uma porção do valor total da bilheteria e essa quantia varia conforme o território, com uns sendo mais lucrativos do que outros.

Um dólar em bilheteria na China vale apenas vinte e cinco centavos para o estúdio, enquanto nos Estados Unidos corresponde a cinquenta centavos. Logo, O Bom Dinossauro precisaria gerar mais de US$500 milhões para sair do vermelho e começar a trazer algum lucro para casa.

Mas a matemática não se limita à venda de ingressos. Durante uma década, US$100 milhões em bilheterias nos Estados Unidos podem trazer outros US$125 milhões, através de Home Vídeo, mercado digital e direitos de exibição na televisão aberta e a cabo. Mais uma vez, o valor muda de acordo com o país, caindo para US$100 milhões no Reino Unido.

Isso tem feito os estúdios crescerem os olhos para outros mercados emergentes, a exemplo de Brasil, China e Rússia. Além dos custos com publicidade serem menores em tais países, é possível usar estratégias diferenciadas. Nos Estados Unidos, a décima sexta animação da Pixar teve uma divulgação focada no aspecto visual e lado dramático, já a campanha no Brasil apostou no humor.

Qual o problema de O Bom Dinossauro, então? De acordo com o Rotten Tomatoes, a aventura pré-histórica obteve 77% de aprovação entre os críticos e 68% com o público. Para fins comparativos, Carros 2 (2011) foi aprovado apenas por 39% dos críticos e 50% do público, e ainda assim, garantiu US$559 milhões mundialmente.

No entanto, McQueen já possui uma grande base de fãs e gera rios de dinheiro através de brinquedos, justificando um Carros 3 (06 de Julho de 2017), portanto, a qualidade da história não motivou o sucesso financeiro nas bilheterias. Arlo e Spot não possuem essa vantagem. E por se tratar de uma história original, as expectativas eram bem altas.

Embora a recepção dos críticos e do público tenha sido favorável, muitos pais se queixaram acerca da animação ter muitas cenas sombrias, assustadoras e até inapropriadas para as crianças. Este seria um do motivos a ter afugentado certas famílias dos cinemas, inclusive com muitas reclamando nas redes sociais da empresa. Inegavelmente, as crianças são a força-motriz das animações.

Divertida Mente (2015), lançado meses antes, também foi apontado por alguns especialistas como outra razão para o fracasso. Após um declínio de popularidade e um ano longe das telonas, o estúdio lançou, pela primeira vez, dois longas-metragens dentro do período de doze meses. E vale destacar, duas histórias originais, as primeiras desde 2012.

Com uma média de 77% de aprovaçãoValente (2012) era até então o filme original do estúdio com a pior avaliação. Custando US$25 milhões a menos, a aventura de Mérida faturou US$539 milhões mundialmente. A história de Riley, porém, conseguiu uma média de 93,5% de aprovação — a maior desde Toy Story 3 (2010), com 94% —, e indicava uma nova era de sucessos.

Logo, Alegria e Tristeza teriam ofuscado o brilho dos vaga-lumes de O Bom Dinossauro e o público estaria punindo o Pixar Animation Studios por lançar um filme mediano em vez de um excelente. De acordo com Jim Morris, presidente do estúdio, a equipe ainda está aprendendo como lançar um filme e meio a cada ano sem deixar a qualidade cair.

Também podem ser consideradas como causas a concorrência com Star Wars: O Despertar da Força (2015); a demora no início da divulgação — cinco meses antes do lançamento, enquanto Divertida Mente (2015) e Procurando Dory (30 de Junho de 2016) começaram suas campanhas com oito meses de antecedência; a troca de diretores e as várias mudanças no roteiro…

Pelo lado positivo, tal fracasso não representa uma preocupação financeira para o estúdio, especialmente com duas sequências aguardadíssimas agendadas para estrear nos próximos anos. Até então, a menor bilheteria havia sido a de Toy Story (1995), com um orçamento estimado em US$30 milhões e uma bilheteria global de US$365 milhões.

Apontar possíveis culpados não é nada simples. No máximo, isso representa um alerta para a equipe sob a liderança de John Lasseter, diretor de criativo. O estúdio continua com a intenção de investir em ideais originais. Coco será o próximo a chegar aos cinemas, em 04 de Janeiro de 2018, no Brasil. E lá, teremos um quadro maior para analisarmos, enquanto isso continuamos a nadar.

E se o asteroide que mudou para sempre a vida na Terra não tivesse atingido o planeta e os dinossauros nunca tivessem sido extintos, como seria a relação entre dinossauros e humanos? A Disney·Pixar leva você para uma aventura nada jurássica, onde a dupla de amigos improváveis, Arlo e Spot, irá vivenciar uma historia de ação e humor. Dirigido por Peter Sohn, O Bom Dinossauro surpreenderá o público de todas as idades, com sua originalidade e inovação.

*Esta matéria foi sugerida pelo leitor Gabriel Hansen. Entre em contato conosco e faça a sua sugestão também.

Escrito por Lucas

Um grande aficionado por cinema, séries, livros e, claro, pelo Universo Disney. Estão entre os seus clássicos favoritos: "O Rei Leão", " A Bela e a Fera", " Planeta do Tesouro", "A Família do Futuro" e "Operação Big Hero".

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