Diretor de O Bom Dinossauro traz emoção à CCXP com histórias comoventes

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Depois da pré-estreia exclusiva e de um rápido intervalo, o diretor da animação O Bom Dinossauro, Peter Sohn, assumiu o palco da Comic Con Experience para compartilhar histórias sobre sua infância, sua carreira, e, principalmente, sobre os percursos e obstáculos enfrentados durante a produção desse longa-metragem de animação.

Sohn começou sua apresentação comentando, através de algumas ilustrações, acerca de sua família e suas origens coreanas. O diretor, nascido em Nova York, relembrou as idas ao cinema com sua mãe, a qual não falava Inglês e tinha extrema dificuldade em acompanhar os filmes, exceto as animações de Walt Disney, a exemplo de Dumbo (1941), capaz de fazê-la chorar sem entender uma palavra sequer.

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Essa conexão com o cinema veio desde pequeno. Sohn e seu irmão costumavam passar as tardes recriando cenas de seus filmes favoritos, como Star Wars: Uma Nova Esperança (1977). Não demorou muito para decidir transformar essa paixão por cinema e animação em uma profissão, e começou a cursar uma faculdade. Porém, devido à baixa diversidade étnica, Sohn transferiu seu curso para a CalArts, na Califórnia.

Lá, ele conseguiu não apenas um estágio na produção de O Gigante de Ferro (1999), do diretor Brad Bird (Os Incríveis), como uma maior identificação com seus colegas. “Não importa qual a sua cor, qual a sua raça, o cinema é para todos. Ele é a sua nova tribo. Ele é a sua nova raça,” comenta em meio aos aplausos. Em 2000, começou a sua trajetória no Pixar Animation Studios, ao ser contratado para trabalhar em Procurando Nemo (2003).

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Parcialmente Nublado (2009) foi seu primeiro trabalho como diretor e o responsável por fazê-lo ser convidado a assumir O Bom Dinossauro, substituindo o diretor original, Bob Peterson. “Eu estava aterrorizado [para dirigir um longa-metragem], assim como Arlo. Muitos artistas vieram ao meu socorro e me ajudaram, uma delas foi a [produtora] Denise Ream.” E John Lasseter, chefe criativo do estúdio, o aconselhou a cavar até o fundo.

Assim, Sohn e outros membros da equipe passaram a visitar e a fazer pesquisas em museus de dinossauros, e em seguida, a equipe viajou para o estado de Wyoming, nos Estados Unidos, o qual serviu como referência para a criação dos cenários e paisagens vistos no filme. Nisso, o diretor conheceu um grupo de fazendeiros e se inspirou nele para criar os tiranossauros, além de se basear nas histórias contadas por eles ao redor da fogueira.

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Um elemento importante na trama é o rio. Segundo o diretor, ele serve como uma espécie de estrada de tijolos amarelos para Arlo, pois enquanto o rio estiver visível, ele poderá voltar para casa. Em um passeio pelo rio, o diretor de efeitos visuais Sanjay Bakshi derrubou a câmera GoPro, com a qual estavam filmando a viagem para usar de referência, dentro da correnteza. Por sorte, o guia a encontrou e as imagens de sua excursão aquática foram exibidas no telão.

O diretor, claro, não deixou de questionar ao guia como ele conseguiu encontrá-la tão facilmente, e ele respondeu: “Simples. Basta aprender a observar a natureza. Eu observei como a correnteza moldava as pedras, e fui seguindo até onde era mais provável haver um acúmulo de objetos. E bom, lá estava a câmera.” Esse elemento acabou sendo incorporado ao roteiro, embora seja perigosa, a natureza é bonita e possível de ser decifrada.

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Todo o realismo dos cenários não foi à toa. O Bom Dinossauro é a primeira animação do estúdio a se passar completamente na natureza, a qual foi tratada como um personagem e um adversário para Arlo em sua jornada de volta para casa. Para criar um contraste, a equipe optou por seguir uma visual mais cartunesco e caricato para os personagens. Spot, por exemplo, foi inicialmente desenhado como um cachorro antes de chegarem ao aspecto final.

O cabelo de Spot, na verdade, é baseado no da minha filha quando ela acorda,” brinca o diretor. Já os apatossauros tiveram seus movimentos inspirados pelo estudo do caminhar dos elefantes, enquanto para os tiranossauros, foram usados os caubóis cavalgando como base — as partes inferiores de seus corpos representam os cavalos, algo bastante evidente quando eles começam a perseguir um gado fugitivo.

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Nós queríamos contar uma história verdadeira,” comenta a produtora Denise Ream. “Essa é a história de um garoto amadurecendo e um cachorro. Aqui, o garoto é um dinossauro, e o cachorro é um humano. E esse cachorro é um animal, e ele não entende o garoto. Enquanto o garoto amadurece, aprende com a vida, supera seus medos e entende o cachorro, ele continua um animal e ele continua sem entendê-lo.”

Denise Ream, Peter Sohn e Os Barbixas, dubladores nacionais dos raptores, passaram pelo estande da animação, onde tiraram fotos e distribuíram autógrafos para o público. O local servia como ponto de encontro e de descanso, disponibilizando almofadas, sofás e carregadores de celulares. Ao lado, havia a Magic Store, onde estavam à venda os produtos oficiais da empresa. O Bom Dinossauro estreia em 07 de Janeiro de 2016 no Brasil.

Trailer de O Bom Dinossauro:

E se o asteroide que mudou para sempre a vida na Terra não tivesse atingido o planeta e os dinossauros gigantes nunca tivessem sido extintos? O Pixar Animation Studios leva você em uma jornada épica ao mundo dos dinossauros onde um apatossauro chamado Arlo faz uma improvável amizade com um humano. Enquanto viajam por uma paisagem misteriosa e desértica, Arlo aprende o poder de confrontar seus medos e descobre do que ele realmente é capaz.

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Sobre o Autor(a)

O atual diretor de redação e editor-chefe de O Camundongo é um grande aficionado por cinema, séries, livros e, óbvio, pelo Universo Disney. Estão entre os seus clássicos favoritos: "O Rei Leão", " A Bela e a Fera", " Planeta do Tesouro" e "A Família do Futuro".