Editorial #39 | A Inocência Infantil

Olá, Camundongo!

Você, assim como eu e muitos outros apaixonados pelo Universo Disney, com certeza, já deve ter escutado um “você não está velho para gostar de Disney?” ou um “Disney é para crianças” ou uma de suas muitas variações em algum momento depois da adolescência. Pois, por qualquer motivo inexplicável, criou-se uma cultura na qual gostar de Disney é errado se não estivermos mais na infância, como se apenas os pequenos tivessem a capacidade de apreciar as maravilhas desse universo.

Talvez essa ideia não seja inteiramente falsa. Crianças, em sua inocência, não têm a mente impregnada por preconceitos, tampouco costumam ser menos receptivas ao novo ou diferente. Isso faz com que as crianças possam, de fato, enxergar a beleza e a magia existente em cada produção da casa do Mickey Mouse, nas suas mais diferentes formas, desde os clássicos animados até séries e filmes para televisão. Mesmo os livros e músicas parecem exercer um maior encanto nelas.

A convivência com os adultos próximos e o próprio amadurecimento vão, aos poucos, moldando cada criança em um novo adulto – e infelizmente, muitas das vezes, em uma pessoa que acredita nessa bobagem de estar velha para gostar de Disney. Walt Disney, em sua sabedoria, disse: “O problema do mundo é que muitas pessoas crescem.” E aqui, crescer não está relacionado ao aumento em estatura ou inteligência, e sim, à perca daquela ingenuidade da infância, daquela facilidade de enxergar a magia existente no mundo.

Inclusive, para nós Camundongos, é difícil manter a criança interior viva. Conforme o número de boletos a serem pagos aumenta, você começa a entender o porquê do Peter Pan não querer crescer. Não é fácil ser adulto. O encanto, as cores e o brilho de nossos primeiros anos de vida vão se esvaindo, enquanto novas responsabilidades, a pressão de definirmos uma carreira e o dever de provermos o nosso sustento, em um planeta em crise, vão surgindo e tomando um espaço cada vez maior dentro de nós.

Quando menos esperamos, toda aquela magia infantil já se foi e a vida não tem mais tanto sentido. Quantos adultos não se veem na obrigação de continuar em um trabalho no qual não se sentem realizados pessoal e profissionalmente para não deixar a família viver na miséria, e nisso, acabam não possuindo tempo para brincar com os filhos, nem ânimo para viver um pouco de romance ao lado do cônjuge? A vida e a sociedade nos pressionam a tomar decisões contrárias ao que acreditávamos quando pequenos.

Nada mais propício do que trazer esse debate à tona nesse mês, pois teremos a estreia de Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível nesta quinta-feira, 16 de Agosto, cuja trama gira em torno do resgate da inocência do protagonista – representada por meio de Pooh, Leitão, Tigrão e demais habitantes do Bosque do Cem Acres –, o qual vive uma situação semelhante à de muitos adultos reais: muito trabalho e pouca disponibilidade para fazer o que gosta e passar algumas horas ao lado de quem ama.

Embora isso seja extremamente triste, é a realidade. A vida adulta nos cega com tantas obrigações e inseguranças e, assim, deixamos de enxergar o que realmente importa. E se esse Editorial possui algum propósito, é o de tentar despertar em cada um de nós a magia perdida ao longo dos anos, de restaurar a inocência da infância. Para, dessa forma, voltarmos a enxergar um mundo menos triste e cinzento, e podermos encontrar novamente a beleza e o encanto das coisas.

Obviamente, a intenção não é convencê-lo(a) a abandonar o seu emprego, estudos e todas as suas responsabilidades para ir brincar com seus brinquedos antigos, mas abrir o caminho para mudar aquilo que te faz infeliz, te incomoda e ofusca a magia dentro de ti e, quem sabe, servir de exemplo para outros. Quanto mais adultos se reencontrarem e (re)descobrirem que a magia, seja ela do Universo Disney ou não, não está reservada apenas para as crianças, melhor o mundo será, afinal os adultos são apenas crianças crescidas.

Carinhosamente,

Lucas Neves

Editor-chefe

Written by Lucas

Um grande aficionado por cinema, séries, livros e, claro, pelo Universo Disney. Estão entre os seus clássicos favoritos: "O Rei Leão", " A Bela e a Fera", " Planeta do Tesouro", "A Família do Futuro" e "Operação Big Hero".

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