Meu Amigo, o Dragão | Crítica de Fã para Fã

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Antes de tudo: Meu Amigo, o Dragão de 2016 não é uma simples refilmagem do clássico de 1977. Claro, repete elementos do anterior, mas ainda assim nos dá a chance de conhecer uma história quase nova.

O filme é aberto com uma narração que em uma de suas frases já mostra a principal intenção da história: “There’s the thing about adventures: you gotta be brave” (Algo como: “Aí está o que faz as aventuras: você tem que ser corajoso“). Antes de assistir ao longa, deduz-se que a coragem citada é aquela de subir nas costas de um dragão, voar por aí e enfrentar os inimigos. Após a sessão, você verá que a mensagem vai além.

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Meu Amigo, o Dragão conta a história de Pete (Oakes Fegley), um menino órfão que vive em uma floresta próxima a Millhaven, uma cidade do interior. Possivelmente localizada no noroeste dos Estados Unidos, Millhaven na verdade é Tapanui, uma cidade na Nova Zelândia que recebeu a produção do longa para as filmagens em Abril de 2015.

Assistindo ao trailer, os mais desavisados acabam se lembrando da história de Mogli, também criado por animais. Entretanto, Pete teve o contato com sua família até os quatro anos de idade, podendo, assim, desenvolver a linguagem e hábitos humanos. Enquanto Mogli foi criado por animais, Pete criou a si mesmo, tendo Elliot como sua única companhia por muito tempo.

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Após seis anos na floresta, Pete é encontrado por Natalie (Oona Laurence) e finalmente é resgatado pela guarda-florestal Grace (Bryce Dallas Howard). Daí a história se desenvolve na separação entre o menino e Elliot, e na descoberta da criatura voadora pelos moradores da cidade. Mas é na relação entre Pete e Elliot que são originados alguns dos melhores momentos do filme. As primeiras imagens da dupla brincando livre na natureza servem para exaltar as belíssimas locações do filme e também sua cuidadosa fotografia.

O longa é um descanso para aqueles cansados de blockbusters explosivos e 3Ds desnecessários. As cenas de voo levam o espectador para um verdadeiro passeio, mas sem o objetivo vazio de exaltar a tecnologia e impressionar por impressionar. Atenção para a cena final que vai deixar muitos no cinema com vontade de sair desbravando a natureza. Aliás, ao ver Elliot voando, não pude deixar de pensar em quão maravilhoso seria ter nos parques da Disney um simulador baseado no filme!

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Além da fotografia, é indispensável notar o excelente trabalho na concepção do dragão. É redundante falar de bons exemplos de computação gráfica, já que estamos mais que acostumados com essa tecnologia. Entretanto, Elliot consegue se conectar com o espectador de forma muito natural, mesmo sem ter fala alguma. Afinal, é um dragão com jeitão de cachorro. Como não se apaixonar?

A trilha sonora se encaixa perfeitamente ao clima do filme, trazendo canções mais folk e típicas do interior dos Estados Unidos. As músicas ajudam a ilustrar a história e trazer um charme especial, mas seguem o caminho oposto do filme original, um verdadeiro musical.

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Ultrapassadas as questões técnicas chegamos ao cerne do filme: sua mensagem. Meu Amigo, o Dragão é principalmente sobre pertencimento. A história conta com momentos bem sentimentais e que por vezes apelam mais para o público adulto do que para a criançada, mais interessada no dragão.

O longa balanceia melancolia e fantasia de forma natural, sem que se perca o interesse do espectador. Entretanto, é inegável que há uma mensagem mais profunda tentando ser passada sutilmente. A história mostra como é ser acolhido tendo o passado como parte essencial da vida, mas ainda assim aceitando que o futuro traz novos planos. Paralelamente, a mensagem se assemelha muito ao que foi mostrado em O Bom Dinossauro (2015) na cena dos gravetos. Cada um sente-se completo em um núcleo muito particular e a substituição dos pais de Pete por Elliot mostra isso claramente.

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O longa é mais lento e com menos piadas infames do que se espera de um produto Disney, e isso é bom, pois mostra que é possível agradar aos pequenos sem se escorar em artimanhas. A história é para crianças, porém o filme não se esforça para ser infantil.

Meu Amigo, O Dragão é mais do que aparenta ser. Espere uma aventura e você terá, mas tente ir além e entender o que o órfão Pete e a guarda-florestal Grace realmente querem. Uma das frases do filme resume bem este pensamento: “Se passar a vida só olhando o que passa na sua frente vai perder muita coisa“.

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Meu Amigo, o Dragão (2016)

8.9 Ótimo

Aventura / Familiar / Fantasia
Direção: David Lowery.
Elenco: Bryce Dallas Howard, Robert Redford, Wes Bentley e Oakes Fegley,
Roteiro: David Lowery e Toby Halbrooks.

  • Direção 9
  • Roteiro 8
  • Atuação 8
  • Trilha Sonora 9.5
  • Edição 9
  • Fotografia 10
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Sobre o Autor(a)

Mouseketeer desde que se entende por gente. Finalmente realizei meu maior sonho de Camundongo e visitei todos os parques da Disney no mundo!



  • Marianinha

    Adorei a crítica!!!!! Tinha desistido de ver o filme porque mudaram o filme todo e tiraram a parte musical. Mas agora fiquei curiosa para ver esse remake

  • Que filme! Digo que gostei mais desse filme do que o original de 1977.
    Ele é um dos filmes mais leves e good-vibes que assisti esse ano. Ele não apela tanto e o que mais queria ver nele (as cenas de voos que vi nos trailers) estavam muito inspiradas.
    Gostei da mensagem do filme e do seu clima, foi uma ótima pedida.