Eras da Disney | A Era do Retorno

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Olá, Camundongos! Bem-vindos de volta ao especial Eras da Disney. Hoje, vamos continuar nossa viagem pela história do Walt Disney Animation Studios!

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A opção por trabalhar novamente com animação tradicional é aprovada pelo estúdio, e um conto dos Irmãos Grimm é escolhido para adaptação. Os líderes do projeto, John Musker e Ron Clements, responsáveis por A Pequena Sereia (1989) e Aladdin (1992), usariam como inspiração para o design do filme uma mistura de Bambi (1942) com A Dama e o Vagabundo (1955) demonstrando que o estúdio procurava voltar ao topo partindo das referências de sucessos de outras épocas. O visual clássico de Bambi, da Era de Ouro, misturado ao roteiro contemporâneo de Aladdin, da Era da Renascença, possibilitaria a volta da animação à sua melhor forma.

A Princesa e o Sapo, lançado finalmente em 2009, tinha todos os ingredientes para o sucesso: uma história baseada em conto de fadas, uma protagonista princesa e números musicais. Desde a Renascença, esses elementos não apareciam todos no mesmo filme. Além de tudo isso, a protagonista, Tiana, seria a primeira princesa negra da Disney, simbolizando mais um passo do estúdio para sua total renovação.

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Quando o longa chegou às telas o público pôde se lembrar o que realmente era um clássico Disney. O resultado nas bilheterias ao redor do mundo foi satisfatório, apesar de não lembrar os recordes dos anos 1990. Entretanto, já era um grande avanço em relação aos lançamentos da Era da Pós-Renascença. A recepção positiva da história demonstrava que aquele era apenas o primeiro passo de uma nova Era.

Outro clássico da literatura daria continuidade ao Retorno, desta vez se utilizando da mais avançada tecnologia. A história de Rapunzel se transformaria em Enrolados (2010), um longa realizado inteiramente de modo digital. Entretanto, as referências utilizadas pelo estúdio vinham de animações tradicionais como Branca de Neve e os Sete Anões (1937) e Cinderela (1950), de modo que o resultado mantivesse o fácil reconhecimento do produto como um longa-metragem Disney. Mesmo com toda a tecnologia implementada ainda era possível sentir a sensibilidade do traço manual.

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Enrolados foi o grande conto de fadas para a nova geração. Ele possuía visual moderno, mantendo o encantamento clássico, e sua protagonista era a princesa mais contemporânea já vista. Rapunzel se impunha e tinha personalidade mais firme que outras princesas: mudança na construção da personagem feminina já iniciada em A Princesa e o Sapo.

O quinquagésimo longa animado do Walt Disney Animation Studios já era tido como um clássico moderno pouco após seu lançamento. Impecável tecnicamente, o filme possuía roteiro consistente e em sua essência fragmentos de vários outros sucessos do estúdio. Enrolados foi o segundo filme de princesas do Retorno e não seria o último.

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Ainda durante a produção de A Princesa e o Sapo, o estúdio viu a necessidade de retomar a imagem do Ursinho Pooh, uma vez que a franquia vinha decaindo ao longo dos anos. O filme seria produzido em animação tradicional, diferentemente de Enrolados, e contaria com apenas sessenta minutos de duração. O resultado foi o lançamento, em 2011, de Winnie the Pooh. A escolha simples do título era mais uma estratégia de reavivar na memória do público o personagem que vivera seu auge em décadas passadas.

O longa obteve críticas positivas, elogiando o caráter nostálgico da história e sua animação tradicional, que era um alívio para muitos na época liderada pela animação digital. Apesar de seu fraco desempenho nas bilheterias, Winnie the Pooh alcançou seu objetivo de renovar o clássico e apresentar os personagens para uma nova geração.

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Após Winnie the Pooh, o estúdio voltaria à animação digital com uma história original. Com o objetivo de trazer para o cinema o interesse pela tecnologia, decidiu-se produzir Detona Ralph (2012), uma história passada no mundo dos videogames.

Com Enrolados, o objetivo era reviver a magia clássica. Já em Detona Ralph, buscava-se a inserção na modernidade através do mundo virtual. Sendo assim, foram tomadas duas decisões essenciais para o sucesso do filme: o longa não seria um musical, o que fugiria da essência dos games, e personagens de jogos famosos como Sonic e Mario Bros estariam presentes para gerar maior autenticidade narrativa.

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Tais características provaram ser geniais ao atraírem para as salas de cinema crianças que haviam perdido o interesse no formato da animação infantil. Detona Ralph era um jogo passado na tela grande. O lançamento em 2012 foi mais um sucesso do Retorno, com grandes números nas bilheterias, aprovação da crítica e até mesmo indicação ao Oscar® de Melhor Animação.

O Retorno trabalhava em duas frentes distintas. Com A Princesa e o Sapo e Enrolados mantinha-se a magia dos contos de fada atualizada com personagens contemporâneos. Do outro lado, Detona Ralph provava que o estúdio conseguia adaptar o gosto pela tecnologia a suas histórias de modo inovador e atraente.

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A qualidade e recepção dos filmes do Retorno sempre foram positivas. Entretanto, ainda restava a dúvida se algum dia o sucesso da Renascença se repetiria. A jornada iniciada com A Princesa e o Sapo, passando depois por Enrolados culminaria em um filme marcante para a história da animação.

Inspirado no conto A Rainha da Neve, de Hans Christian Andersen, Frozen: Uma Aventura Congelante (2013) levou ao extremo o nível dos longas animados. O projeto para adaptação do conto de Andersen já havia sido descartado anteriormente por diversos motivos. Inclusive esteve nos planos de Walt Disney, mas assim como tantos outros projetos acabou sendo preterido.

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Então, em 2011, o estúdio anunciou Frozen: Uma Aventura Congelante como um de seus próximos lançamentos, e este seguiria os moldes de Enrolados: um conto de fadas musical em animação digital. Após muita pesquisa e diversas exibições-testes, os produtores acreditavam haver algo de especial naquele projeto. Todos os elementos dos grandes clássicos estavam presentes em uma narrativa intrigante acompanhada de canções igualmente bem elaboradas.

Com o lançamento do filme em 2013, todas as previsões foram superadas e o longa tornou-se a maior bilheteria de animação até então, somando mais de US$1 bilhão. Sua arrecadação ultrapassou a de grandes franquias do cinema e os frutos da produção continuariam a vir mesmo meses após seu lançamento.

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Enquanto os produtores esperavam se igualar ao sucesso de Enrolados, Frozen: Uma Aventura Congelante iria além e se tornaria o maior filme do estúdio desde O Rei Leão (1994). O longa venceu o Oscar® de Melhor Animação, o primeiro da Disney a realizar esse feito, e já não restavam dúvidas de que o Retorno havia sido realizado por completo.

Após o fenômeno de Frozen: Uma Aventura Congelante, seria necessário muito empenho para manter a qualidade das produções de modo que não houvesse outro declínio na história do estúdio. Para isso, os animadores reuniram suas técnicas de animação já consagradas a um mundo ainda inexplorado: o dos super-heróis.

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Operação Big Hero, lançado em 2014, seria o primeiro projeto envolvendo a Marvel, companhia adquirida pela Disney em 2009. Desde a aquisição do império dos quadrinhos, os funcionários do estúdio foram encorajados a buscar material que pudesse ser adaptado de modo eficaz, misturando super-heróis à narrativa clássica Disney. Então, após anos de pesquisa, escolheu-se uma série de quadrinhos intitulada Big Hero 6 como a nova aposta do estúdio. A intenção do filme era similar à de Detona Ralph: atrair o público jovem, fã de videogames, e também adultos amantes da cultura nerd.

Chegado o lançamento do filme, público e crítica puderam ter a certeza de que o Walt Disney Animation Studios havia se reinventado mais uma vez. O brilhantismo da animação era o mesmo de Frozen: Uma Aventura Congelante, mas o longa pouco se assemelhava narrativamente. O resultado agradou fãs do estúdio, da Marvel e também dos quadrinhos originais. A união dessas esferas distintas foi a chave para o triunfo do projeto. Além do sucesso de bilheteria, o filme trouxe para o estúdio mais um Oscar® de Melhor Animação.

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Logo nos primeiros meses de 2016, o estúdio conseguiu mais uma vez revolucionar e com Zootopia alcançou mais de um bilhão de dólares em bilheteria. O filme usa da mesma fórmula de animais antropomórficos como do clássico Robin Hood, de 1973, mas introduz no roteiro pautas atuais como preconceito, que fazem com que o longa seja agradável aos olhos e ao mesmo tempo possua uma mensagem impactante.

A história da raposa malandra Nick e da policial coelho Judy inicialmente seria algo similar a um filme de espionagem internacional. Depois os roteiristas colocaram Judy como sidekick de Nick, mas no fim das contas, os criadores acharam que o apelo do filme seria maior com os protagonistas vivendo como opostos.

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Além do roteiro muito elogiado pelo público e pela crítica, Zootopia elevou o nível da animação do estúdio exponencialmente. Para tornar os animais ainda mais realistas o estúdio desenvolveu um software chamado iGroom que permitia controlar de forma mais eficaz a animação dos pelos dos animais. Com a nova tecnologia o visual dos personagens ficou mais realista, chegando a níveis absurdos de detalhes, como por exemplo em Judy que possui cerca de 2,5 milhões de pelos desenhados. Valor muito maior do que o número de fios de cabelo de Elsa.

A próxima aposta do estúdio, Moana: Um Mar de Aventuras, traria de volta a clássica dupla de diretores Ron Clements e John Musker, as mentes por trás de A Pequena Sereia, Aladdin e muitos outros filmes. Sendo assim, a expectativa para o longa era grande. Afinal, vinha por aí mais uma possível princesa.

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O longa conta a história da jovem moradora de uma ilha no Pacífico através de diversas canções, seguindo o estilo já consagrado dos diretores, e usa como pano de fundo a mitologia da Polinésia. Os diretores viajaram para diversos destinos, como Samoa e Fiji, para se inspirarem e provaram na telona que ainda não vimos tudo que a animação pode oferecer.

Com seu lançamento em Novembro de 2016 nos Estados Unidos e algumas semanas depois no Brasil, o público pôde se encantar com visuais magníficos, trilha sonora espetacular e uma protagonista digna de ser chamada de heroína. Moana tem características que nos lembram de Mulan, Tiana e muitas outras personagens femininas da Disney, e ainda assim consegue nos surpreender com sua bravura. A resposta da crítica e do público à Moana foi extremamente favorável e o filme provou ser uma aposta certeira.

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Podemos dizer que o estúdio ainda se mantém na Era do Retorno. Afinal, Moana trouxe elementos similares a outros lançamentos da época e os desenvolveu de formas positivas. Agora, nos resta pensar no que o futuro trará para o Walt Disney Animation Studios. O próximo lançamento, agendado para 2018, é Detona Ralph 2, seguindo a aposta de explorar os mais recentes sucessos do estúdio. Será que a onda positiva iniciada com A Princesa e o Sapo será mantida nos anos que estão por vir? É o que espero.

Na década de 1980 o estúdio fora dado como acabado. Pensava-se que jamais seriam produzidos novamente clássicos como Branca de Neve e os Sete Anões (1937), Pinóquio (1940) e Cinderela (1950). Então vieram A Pequena Sereia (1989), A Bela e a Fera (1991) e O Rei Leão (1994). E mais uma vez surgiu a descrença nas produções. Entretanto, novamente o tempo passou e tivemos Enrolados e Frozen: Uma Aventura Congelante.

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Assim foi e continuará sendo a história do Walt Disney Animation Studios, com grandes fenômenos e alguns poucos desastres. Deve-se lembrar que se existiu a Era da Guerra e a Era Sombria, também existiu a Era de Ouro, a Era da Renascença e a Era do Retorno. Será que os próximos anos trarão uma nova era?

Em vez de me ater a previsões prefiro encerrar este texto com uma frase de Walt Disney: “Nós seguimos em frente, abrindo novas portas, e fazendo coisas novas, porque somos curiosos e a curiosidade continua a nos conduzir por novos caminhos“. Chegamos ao fim deste longo Especial, Camundongos! Espero que tenham aproveitado essa viagem no tempo e que as informações tenham sido valiosas. Contem nos comentários o que vocês acharam e façam sugestões de novos especiais. Até a próxima!

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Sobre o Autor(a)

Mouseketeer desde que se entende por gente. Finalmente realizei meu maior sonho de Camundongo e visitei todos os parques da Disney no mundo!



  • rodrigo duarte

    Super bacana esse especial, a Disney é mesmo tudo de bom, mas apesar do sucesso quase que garantido, eu não curto muito essa onda de continuações com Detona Ralph 2 e Frozen 2, aí viram o 3, o 4 e mais do mesmo, até a saturação e a derradeira entrada em mais uma fase ruim…

  • Bernardo Tavares Maciel

    Parabéns pela qualidade dos textos e pela riqueza de informações. Li todas as Eras de uma vez só. Sensacional!

  • Bruno Onofrio Ccsf

    Sensacional!!! Li os textos sobre todas as eras e assino embaixo.