Doutor Estranho | Crítica de Fã pra Fã

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Muito aguardado pelos fãs do Universo Cinematográfico da Marvel, Doutor Estranho chega aos cinemas trazendo um novo tipo de super-herói, mas ainda com os mesmos ingredientes de outros grandes sucessos do estúdio.

Não há como não comparar Doutor Estranho com outros elementos da Marvel e, se há algo no filme que é claramente uma marca do estúdio, é o humor. O protagonista do filme, Doutor Stephen Strange, interpretado pelo inglês Benedict Cumberbatch, compartilha do mesmo humor de Peter Quill, de Guardiões da Galáxia (2014). Stephen é debochado e, por vezes, sua forma de falar é reflexo de sua grande arrogância.

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Logo no início do longa, descobrimos qual será o maior desafio do Doutor: entender melhor seu lugar no mundo. Como um grande cirurgião, Stephen parece não precisar de ninguém e se coloca acima de todos. Entretanto, ao sofrer um acidente e perder a habilidade com seu instrumento de trabalho, as mãos, ele se desespera ao ver que foi rebaixado como médico.

A partir daí ele entra em uma busca frenética pela reabilitação de seus movimentos. Vale notar que no primeiro ato do filme, antes de sua transformação em herói, o grande destaque de atuação vai para Rachel McAdams, interpretando Christine Palmer, que traz os momentos mais dramáticos do longa ao tentar ajudar Stephen nos momentos pós-acidente.

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Após muita frustração Stephen encontra o lugar que promete trazer sua vida de volta, Kamar Taj, uma espécie de retiro onde ele encontra A Anciã, interpretada por Tilda Swinton, que o colocará em uma jornada para encontrar um novo rumo. Em Kamar Taj, Stephen inicia seu treinamento e finalmente se transforma no Doutor Estranho, após muito relutar em entender o sentido da magia que o cercava.

É em Kamar Taj que o filme se distancia dos outros longas da Marvel. Doutor Estranho lida muito mais com o místico e com o que está além da percepção corpórea. Outros super-heróis treinam seus músculos e habilidades de luta, mas Stephen Strange precisa treinar seu cérebro e, como é dito no filme, “abrir sua mente para o novo“.

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No primeiro contato de Stephen com a Anciã, temos um dos melhores momentos visuais do filme. Stephen sai de seu corpo e passeia pelo universo em uma cena que exemplifica o extremo cuidado com os efeitos visuais do filme.

Os grandes momentos de Doutor Estranho não são grandes explosões, e sim, perseguições que deixam o espectador sem saber onde está indo devido a tantas mudanças de perspectiva. No longa, não existe ao certo o que é teto ou chão. Nas cenas de ação, principalmente as lideradas pela Anciã, as construções tomam formas diferentes das naturais criando assim grandes labirintos. Nesses momentos é possível perceber uma grande influência do filme A Origem (2010), de Christopher Nolan.

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Outra grande diferença trazida em Doutor Estranho é a ameaça inimiga. Em Os Vingadores (2012), por exemplo, há grande destruição em cidades e um reflexo muito grande na vida dos cidadãos comuns. Já no universo de Doutor Estranho, muitas das lutas acontecem em uma realidade paralela, a Dimensão Espelhada, o que acaba protegendo o mundo real.

Como um todo o longa diverte e impressiona, tornando-se uma ótima adição ao Universo Cinematográfico da Marvel. Entretanto, a comédia escrachada, e diversas vezes desnecessária, impede que o filme vá além. Os momentos de auto-conhecimento de Stephen em Kamar Taj poderiam ser bem mais explorados se não tivessem servido como alívio cômico em vários momentos. As dualidades e dilemas, muito presentes em Capitão América: Guerra Civil (2016), são mínimas em Doutor Estranho.

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Um dos grandes trunfos da história, que é a retomada dos movimentos das mãos de Stephen, acontece tão rápido, que a profundidade do problema é diminuída e Benedict Cumberbatch perde a oportunidade de mostrar o bom ator que é. O mesmo pode ser dito de Mads Mikkelsen, interpretando Kaecilius. O vilão não é intimidador como Ultron e tampouco carismático como Loki, desperdiçando também a atuação de Mads.

O longa é uma boa introdução cinematográfica ao personagem, mas nos deixa pensando se o Doutor consegue construir uma franquia própria ou se é melhor como parte de um grande time. Doutor Estranho já tem previsão de retorno às telonas e essa dica é dada em uma das cenas pós-créditos. Fiquem ligados!

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Doutor Estranho (2016)

7.9 Bom

Ação / Aventura / Fantasia
Direção: Scott Derrickson.
Elenco: Benedict Cumberbatch, Tilda Swinton, Rachel McAdams, Chiwetel Ejiofor e Mads Mikkelsen.
Roteiro: Jon Spaihts, Scott Derrickson e C. Robert Cargill.

  • Direção 8
  • Roteiro 7
  • Atuação 7
  • Trilha Sonora 7
  • Edição 9.5
  • Fotografia 9
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Sobre o Autor(a)

Mouseketeer desde que se entende por gente. Finalmente realizei meu maior sonho de Camundongo e visitei todos os parques da Disney no mundo!



  • rodrigo duarte

    Ultron intimidador?! Sou fã dos filmes Marvel, porém o único bom vilão deste universo foi o Loki.