A (falta de) divulgação dos filmes da Disney no Brasil

7

Divulgação_Topo

Quando um longa-metragem está para ser lançado, sempre há um planejamento de divulgação para o filme. Seja nos jornais ou nas redes sociais, os filmes aparecem em alguns anúncios para que leve um público para o cinema. Porém, você já reparou a diferença de algumas divulgações de filmes da Disney aqui no Brasil?

Para usar um exemplo recente, de uma lado temos Procurando Dory (2016), que teve sua divulgação iniciada antes mesmo de Zootopia (2016) e, do outro lado, temos O Bom Gigante Amigo (2016), que mal estreou e já foi embora dos cinemas brasileiros.

Divulgação_M01

É notável que a Disney escolhe quais filmes querem que deem certo apenas pela quantidade de publicidade que eles investem em diversos lugares. Claro, é uma empresa, seu foco é lucro e isso é normal, mas existe um problema que é como alguns filmes ficam nas bilheterias.

Novamente, uso O Bom Gigante Amigo que ficou, no máximo, duas semanas em cartaz com horários e locais alternativos – fazendo com que pessoas não assistam e esperem por serviços de streaming ou download –, enquanto Procurando Dory ainda está em cartaz em alguns (poucos) cinemas do Brasil.

Divulgação_m02

O resultado? A bilheteria de O Bom Gigante Amigo foi considerada um fracasso. É compreensível que alguns filmes necessitem de um impulso publicitário mais forte, porém, no caso desse filme, o esforço publicitário foi mínimo para um filme que não é ruim.

A impressão deixada por essas situações é a de que, quando se trata da divulgação dos filmes da Disney no Brasil, eles escolhem quem vai dar certo ou não. Animações por si só já tem um grande peso lucrativo por conta do futuro merchandising, já os filmes com atores, que deveriam ter publicidades mais trabalhadas, são deixados de lado.

divulgac%cc%a7a%cc%83o_m03

Para perceber como a regra se segue, todos os últimos lançamentos da Disney como Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada É Impossível (2015), Horas Decisivas (2016), O Bom Gigante Amigo e até o próximo lançamento, Meu Amigo, o Dragão (29 de Setembro de 2016), tiveram pouca divulgação comparado às grandes animações lançadas esse ano.

O engraçado disso tudo é que também é nítido quando há uma certa insegurança em alguns filmes. Um exemplo foi o caso de Zootopia, no qual a princípio, o filme estava sendo baseado nas coisas básicas, com conteúdo que era visto na mídia estrangeira e um foco aqui e ali nos dubladores.

Divulgação_m04

Quando o filme realmente estourou, a bilheteria ficou mais cheia, eles investiram em peso na publicidade. A questão aqui é: será que os filmes não têm conteúdo bom o suficiente para agradar os olhos dos brasileiros?

Porque uma coisa que é comum em todas as divulgações é o uso excessivo das cenas com mais comédia. Pense bem, quantas vezes, na divulgação de Zootopia, vocês viram o Flecha? Provavelmente 95%, por simplesmente ele ser o alívio cômico e pouco importou o sentido e significado do filme.

Divulgação_m05

Enquanto isso, nos Estados Unidos, mesmo usando essas cenas, foi balanceado e reforçado a mensagem principal do filme, e isso acontece, porque existe toda uma influência de que os filmes da Disney não possuem somente cenas engraçadinhas, e sim, boas lições.

Logo, é possível tirar uma conclusão da falta de sucesso dos filmes em ação ao vivo que não sejam adaptados de animações do estúdio. A falta da comédia atrapalha claramente o bom desenvolvimento dos filmes por aqui,. Não generalizando, mas as pessoas não irão ao cinema se tiver uma boa história, elas irão se tiver um bom alívio cômico.

Divulgação_final

Compartilhe.

Sobre o Autor(a)

Editora d'O Camundongo. Coleciono tsum tsums. Meu filme favorito da Disney varia de acordo com o meu humor. Sou apaixonada pelas trilhas sonoras da Disney e o mascote do site é o meu maior xodó gráfico.



  • Gabriel M. Santos

    Concordo. Minha irmã até disse que não achou Divertida Mente criativo porque não era muito engraçado.

  • IF97

    Infelizmente conheço muitos que dizem que um filme é bom só por que riram bastante ou por que teve várias cenas de ação, os mesmos ao qual pergunto se entenderam o filme e na verdade não entenderam nada, nem prestaram atenção na trama e na história toda envolvida.

    Acho que a publicidade trabalha com os “clientes” então é culpa nossa que ela seja assim, a partir do ponto que não formos mais assistir um filme só pelo cômico a publicidade muda.

    • catarinadea

      Isso é verdade!
      O engraçado é que, apesar de não ser correto comparar, a Disney (lá fora) sempre mostrou muito mais a relevância da mensagem do aqui.
      É chato, porque os comentários dos outros acabam ficando nesse argumento vazio baseado na comédia. :/

  • Igor Cunha

    Finalmente alguém falou alguma coisa .
    Eu concordo plenamente .
    Eu fiquei super irritado quando, em uma das ocasiões, entrei no Facebook da Disney BR em agosto e eles ainda estavam fazendo publicidade para Procurando Dory e chamando as pessoas para assistirem novamente , enquanto tinha poucas publicações sobre o BGA . Outra coisa sobre esse todo marketing e publicidade da Dory , que eles sabiam que ia dar certo , a capa de perfil da Dory ficou no Facebook da Disney até UM DIA antes (27 de Julho)da estreia do BGA ; é muito comum a Disney BR trocar a capa de perfil semanas antes de qualquer próximo lançamento estrear .

  • Lancelord .

    Eu acho que toda a equipe da filial da Disney no Brasil deveria ser demitida e colocado no lugar os editores do O Camundongo rs

    • HAHAHAHA! Agradecemos o elogio, Lancelord 😛

  • É uma questão complicada mesmo. Obviamente que a divisão de marketing brasileira da Disney não possui recursos infinitos para dar um marketing a todos os filmes que lança, mas creio que mesmo que poucos, e forem bem feitos eles ainda conseguem amenizar um pouco os fracassos nas bilheterias.
    Confesso que só vi UM trailer do O Bom Gigante Amigo e Meu Amigo, o Dragão e isso foi quando fui ver Procurando Dory e Mogli! E imagino que seja sempre complicado comprar os melhores horários e mais dias de sessão para esses filmes.

    Dito isto, acredito firmemente que mesmo com recursos de marketing limitado, é importante saber trabalhar com o que teme boas peças publicitárias reduzem o rombo de bilheterias fracas.

    (caramba, ate hoje eu não esqueço do rolo que ofi a mudança de subtítulo do Tomorrowland e o inexplicável atraso de Zootopia para mais de um mês, até as peças publicitárias que via no cinema daqui da minha cidade precisaram fazer retoques na coxa para contornar essas mudança de última hora)