Clássicos na Crítica | Pocahontas

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Vinte anos. Há vinte anos, estreava Pocahontas um dos maiores clássicos já produzidos pelo Walt Disney Animation Studios, trazendo uma belíssima mensagem sobre a natureza. Embora duas décadas completas tenham se passado, tanto o longa-metragem quanto a sua mensagem continuam tão atuais como se tivessem sido lançados no mês passado.

Em homenagem a essa data importante, decidimos revirar o nosso baú e os nossos arquivos para resgatar esse texto da coluna Clássicos na Crítica, publicado originalmente quatro anos atrás. Esperamos que gostem de relembrar um pouco desse passado. Boa leitura, Camundongos!

Lucas Neves

Editor-chefe

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Wingapo! É com a mesma saudação indígena que Pocahontas diz “Olá” para seu pai que começo essa edição da Clássicos na Crítica. Hoje, falarei de Pocahontas, clássico que foi lançado em 1995 e conquistou todo o mundo. Com uma trilha sonora magnífica, imagens e animação de cair o queixo, e uma das histórias de amor mais lindas e inusitada que a Disney já fez, Pocahontas tem hoje, um lugar garantido entre os meus clássicos favoritos do estúdio.

Tenho que confessar que só fui assistir a Pocahontas depois que comprei o DVD do filme lançado em 2009. Se tinha assistido quando criança, não lembrava de mais nada, apenas conhecia as músicas. Fiquei empolgadíssimo com o filme, sua história, animação e música. Foi quase um mês só assistindo a ele nas horas vagas. E como todo clássico que vi depois de “velho”, pude perceber muito mais do que está escancarado na história. Fui buscar nas entrelinhas as mensagens, lições, referências e detalhes que tomam conta dessa grande história de amor.

O filme retrata o lendário romance proibido da índia norte-americana Pocahontas com o capitão inglês, John Smith. A história começa quando um navio parte da Inglaterra com o objetivo de encontrar um “Novo Mundo” e consequentemente explorá-lo em busca de ouro. Bancando e comandando toda a expedição está o ganancioso governador Ratcliffe, que tem uma louca obsessão em encontrar ouro e riquezas minerais nas novas terras da América.

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Junto com a tripulação, chega à costa norte-americana o capitão John Smith que, enquanto explora as novas terras, encontra a índia Pocahontas. É aí que os dois se apaixonam, descobrem muito sobre a cultura um do outro e acabam no meio de uma guerra entre o povo indígena de Pocahontas, que procura proteger seu próprio lar, e os colonos ingleses, que apenas pensam em explorar e procurar riquezas.

Agora um pouco de aula de história, que não faz mal a ninguém. Pra quem não sabe (eu não sabia), Pocahontas realmente existiu. Ela nasceu em 1595 e viveu parte da sua vida onde, hoje, fica o estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Filha do líder da maioria das tribos da região, sua vida deu margem a muitas lendas, inclusive a retratada no filme da Disney. Segundo relatos de historiadores, Pocahontas salvou, sim, a vida do herói britânico John Smith, que seria executado pelo seu pai em 1607, porém eles jamais se apaixonaram.

Na verdade, John Smith era um homem de meia-idade quando chegou à América e Pocahontas era apenas uma garotinha de dez ou onze anos que convenceu o pai a poupá-lo, pois sua morte atrairia o ódio dos colonos. Pocahontas ficou conhecida pelos euro-americanos como a “boa índia” por ter salvo a vida de um homem branco e John Smith apenas foi seu tutor nos costumes e na língua inglesa. Em 1609, John Smith sofreu um acidente com pólvora e foi obrigado a voltar para a Inglaterra. Os colonos, no entanto, disseram à Pocahontas que ele tinha morrido.

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Em 1612, com apenas dezessete anos, a índia foi aprisionada pelos ingleses durante uma visita social e ficou na prisão de Jamestown por um ano. Durante esse tempo, Pocahontas chamou a atenção do comerciante de tabaco inglês John Rolfe que ofereceu libertá-la se ela se casasse com ele. A proposta foi aceita e Pocahontas viveu mais um ano aprisionada, porém tratada como membro da corte.

Lá, ela teve seu inglês aprimorado e aprendeu sobre o cristianismo através do ministro inglês Alexander Whitaker, que quando providenciou o seu batismo cristão, viu Pocahontas escolher o nome Rebecca para si mesma. Logo depois, a índia teve seu primeiro filho, que recebeu o nome de Thomas Rolfe. Os filhos de Pocahontas e John Rolfe ficaram conhecidos como “Red Rolfes”. Em 1616, Pocahontas descobriu que John Smith ainda estava vivo.

Os dois, porém, só se reencontraram no ano seguinte, quando Pocahontas demonstrou desapontamento por John Smith não ter ajudado a manter a paz entre os colonos e sua tribo. Alguns meses depois, Pocahontas e John Rolfe decidiram retornar à Virgínia, o lar de Pocahontas, mas uma doença (desconfia-se que tenha sido a varíola) obrigou o navio a voltar para a Inglaterra. Porém ao chegar na costa, Pocahontas falece.

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Depois de sua morte, vários romances foram escritos sobre ela e a maioria retratava Pocahontas e John Smith como amantes e John Rolfe como o “vilão” que separou os dois e se casou com a índia à força. Até hoje as pessoas tentam procurar em suas próprias árvores genealógicas se existe algum traço de descendência de Pocahontas em suas famílias.

Enfim, depois dessa aulinha, vamos voltar ao filme, que é o que interessa. Na época do lançamento, a comunidade descendente e representante da tribo de Pocahontas não aceitou de forma positiva o longa. Segundo eles, o estúdio não retratou de forma fiel à cultura da tribo, contou uma versão distorcida da história original e não aceitou a oferta deles para ajudar em questões culturais e históricas que fossem tratadas no filme.

Sinceramente, não acho que eles deviam ter rejeitado de tal forma o longa, afinal a história é baseada na maioria dos romances e lendas contadas sobre Pocahontas. Pelo contrário, deviam ter ficado orgulhosos pela Pocahontas linda, jovem e de espírito livre que a Disney construiu. É claro que, para um filme infantil, eles não iriam fazer uma história sobre uma menininha que salva um colono explorador, é presa, obrigada a se casar na Inglaterra e depois morre de varíola.

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Apesar de tudo isso, Pocahontas tem uma história bastante adulta. Depois do sucesso estrondoso do romance retratado em A Bela e a Fera (1991), que conquistou não só o público infantil, mas também grande parte dos adultos e ainda garantiu o status de primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme, os produtores não esconderam sua vontade de repetir o feito e garantir a disputada estatueta.

Foi assim que um processo de corte e modificação começou. Inicialmente, o filme que teria animais falantes, como na maioria dos clássicos Disney, perdeu essa característica e deixou apenas animais tradicionais na trama. Consequentemente, até mesmo um personagem (um peru que seria amigo de Pocahontas) foi cortado da história.

Mas nem por isso a história perdeu sua graça. O humor está presente de forma discreta e em doses homeopáticas representados exatamente pelos animais. Percy, o cachorro do governador Ratcliffe, é o bobão da história que tem ótimas cenas dignas de um trapalhão, enquanto aos poucos perde a pose de cachorro mimado ao conhecer e explorar a floresta. Vovó Willow, um espírito em forma de árvore, é a grande conselheira de Pocahontas e tem ótimas e engraçadas cenas também.

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Flit, o beija-flor amigo de Pocahontas, é o esquentadinho da história e representa o lado “certinho” e responsável da consciência da protagonista. Como o oposto de Flit, está Meeko, guaxinim altamente brincalhão e impulsivo que representa toda a liberdade, ousadia e vontade de experimentar o novo que existe dentro de Pocahontas. Meeko é, na minha opinião, o bichinho de estimação/personagem secundário mais engraçado e fofo que existe nos clássicos Disney. Ele só não empata com Stitch, de Lilo & Stitch (2002), porque esse é um protagonista…

A parte musical do filme é algo a se destacar. Com músicas compostas pelo genial Alan Menken, somos apresentados a letras profundas e de uma beleza incrível. Sou obrigado a destacar a genialidade desse filme seguindo suas músicas e suas cenas. Começando com a abertura ao som de “A Companhia Virginia”. E que abertura! Somos logo apresentados a uma cena de ação em alto mar, no meio de uma tempestade.

E logo em seguida, quando a câmera vai além do barco, atravessa a neblina e nos mostra o “novo mundo”, o título do filme e os créditos iniciais surgem ao som de “Ao Compasso do Tambor”, somos aos poucos apresentados à cultura e à rotina do povo indígena da aldeia de Pocahontas. Vemos a colheita, a chegada dos guerreiros de volta da guerra, as crianças brincando com seus brinquedos artesanais, o curandeiro e sábio da tribo e, é claro, logo depois, quando o vento nos leva junto com a câmera, somos apresentados à Pocahontas, no alto de uma cachoeira, simplesmente sentindo o vento e a natureza ao seu redor. É simplesmente lindo.

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Pocahontas é algo a se destacar. Ela tem uma beleza e sensualidade que reflete a decisão dos produtores de fazer um filme mais adulto. Com traços fortes, o que mais me chama atenção nela é seu cabelo. Como ele praticamente tem vida própria toda vez que o vento bate e o faz balançar e ondular. Sua personalidade segue o padrão de liberdade e espírito livre tão comum nas princesas e heroínas dos clássicos da década de 1990. Afinal, ela, assim como Mulan, por exemplo, é responsável pelo fim de uma guerra.

A crença indígena é retratada de forma discreta no filme, mas é responsável por grande parte das entrelinhas da história. Minha cena favorita é, sem dúvida, quando Pocahontas e John Smith se encontram pela primeira vez. Primeiramente, eles não se entendem por falarem idiomas diferentes, porém, ao ouvir a Vovó Willow cantar “Ouça o Seu Coração”, o vento passa e gira ao redor deles. É como se os espíritos antigos conspirassem a favor do casal e então eles passam a falar a mesma língua. É uma cena de arrepiar.

Depois que os dois se conhecem, começa um processo de aprendizado pelos dois lados, que nos leva à música “Cores do Vento”, sem dúvida a mais famosa do filme e que é uma aula de consciência ambiental não só para John Smith, mas também para o espectador. Sem falar que a construção da cena, com elementos surreais e artísticos é belíssima. Essa cena é também o ápice da fotografia usada no filme, que abusa de cores fortes e vibrantes em tudo que se refere à natureza.

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Pocahontas fala muito também sobre a exploração colonial da Europa em relação às Américas na época das Grandes Navegações. Todo mundo que estudou um pouco de História, pelo menos na época de escola, sabe que toda a América foi explorada pelos colonos portugueses, ingleses, espanhóis, entre outros. E não é diferente em Pocahontas, quando “nuvens estranhas” chegam trazendo homens vestidos e brutos, que só pensam em explorar, maltratar e destruir a terra.

O desrespeito com o lar e a cultura indígena é gritante, começando pelo termo “Selvagem” usado sempre que o povo de Pocahontas é mencionado. Em um diálogo genial entre o casal protagonista, John chama Pocahontas e seu povo de selvagens. Ofendida, Pocahontas pergunta por que ele usa aquela palavra.

Sem jeito, Smith diz que selvagem é apenas um termo para quem não é civilizado e logo depois é interrompido por Pocahontas que diz: “Você quer dizer, diferente de você…”. Em Pocahontas, ouvir não é uma possibilidade. Durante todo o conflito entre os colonos e os nativos, vemos ignorância em ambos os lados, onde discutir interesses é uma opção rapidamente descartada, levando todos a um conflito e uma guerra eminente.

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Grande parte dos homens que chegam à terra de Pocahontas, na verdade, nem ao menos tem ideia da injustiça que cometem pois são manipulados pelo vilão Ratcliffe a achar que os nativos escondem todo o ouro da região para benefício próprio. Há inocência nos dois lados da história. Ao ser questionada se havia ouro, algo amarelo, brilhante, de grande valor e muito cobiçado, na terra em que vive, Pocahontas fica animada e diz que há muito ouro, sim, ali.

Então, ela pega uma espiga de milho abre e mostra o “ouro” deles. No lado dos colonos, vemos a inocência no papel de Thomas que, ainda jovem, está em processo de formação e tem suas atitudes justificadas pela influência do meio em que vive e não pelo seu caráter. Afinal, é ele que toma a frente da expedição depois que Ratcliffe é desmascarado.

Por falar em Ratcliffe, só eu acho ele um dos vilões mais chatos e sem graça da Disney? Ele praticamente só faz manipular os outros pra conseguir o que quer, enquanto fica sentado em sua tenda conspirando pra encontrar ouro, comendo e aproveitando do luxo que pode ter. Sinto muito mas, pra mim, vilão que se preze é aquele que põe a mão na massa e prova sua maldade pelas próprias atitudes e não fica só mandando nos outros.

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A única parte que vejo um sinal de real maldade nele é quando ele canta “Bárbaros”, logo antes do conflito que caracteriza o clímax do longa. A letra é extremamente preconceituosa e baixa, mencionando os índios como (parafraseando a letra) “pagãos nojentos de horrível cor” que são “bons quando falecem” e chega ao ponto de dizer que eles “não são nem humanos.

Voltando à parte musical do filme, Pocahontas possui muitas músicas. Algumas mais curtas, apenas pra dar um tom à trama, outras em tamanhos tradicionais, que realmente servem como números musicais. Apesar do grande acervo, uma linda música romântica ficou fora da trama. “Se Eu Não Te Encontrasse” deveria ser cantada por Pocahontas e John Smith perto do clímax do filme, quando Pocahontas visita John depois que ele é capturado pelos nativos.

Por questões óbvias de narrativa, a música foi cortada, mas ela está presente durante grande parte do filme na trilha orquestrada. Sua melodia é facilmente identificada várias vezes na história. Ela também foi gravada na versão brasileira por Daniela Mercury (que também gravou “Cores do Vento”) e John Secada e é tocada nos créditos finais do longa.

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Apesar de um ótimo filme, acho o clímax da história muito fraco. Não que não tenha seu valor. O clímax é muito mais moral do que físico. Há todo um discurso sobre sabedoria e superação das diferenças e a questão é resolvida quando os colonos, aos ver John Smith ser poupado pelos nativos, se voltam contra o ainda interesseiro Ratcliffe. No entanto, não há uma guerra, ou uma batalha ou algo empolgante de tirar o fôlego como por exemplo o final de Mulan (1998), o embate de Ariel contra Úrsula ou até mesmo o confronto de Simba contra Scar.

Na verdade, considero a cena anterior ao clímax o verdadeiro ápice do longa, quando Pocahontas, aconselhada pela Vovó Willow, finalmente percebe que seus sonhos mostravam uma bússola e que essa bússola aponta para John Smith. Com a benção de Vovó Willow e dos espíritos antigos, Pocahontas então parte rumo ao local onde John Smith seria morto para salvá-lo e acabar com a guerra entre os dois povos.

Essa cena é belíssima, pois tudo isso é retratado em um número musical. Enquanto os colonos e os índios cantam a segunda parte da música “Bárbaros” e caminham para a guerra, Pocahontas canta e pede ajuda aos ancestrais para ajudá-la enquanto ela também corre em direção ao conflito eminente. É de arrepiar.

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Acho que a grande surpresa do filme, com certeza, é o seu final. Depois de ser baleado por Ratcliffe, John Smith é obrigado a voltar à Inglaterra às pressas para se salvar. Em dúvida quanto a ficar com seu povo ou seguir ao lado do seu amado, Pocahontas surpreende a todos decidindo ficar e dando a John Smith apenas a promessa de que, não importa onde estivessem, eles sempre estariam juntos. É um final tão “não Disney” que quando vi o filme pela primeira vez depois que comprei o DVD eu fiquei surpreso com ele. Cadê o “felizes para sempre”? Cadê a magia de um final Disney?

Depois, analisando o rumo mais adulto da história, percebi que o final é perfeitamente condizente com a personalidade da Pocahontas retratada no filme. Aquela é a sua terra, é seu povo, ela tem responsabilidades ali. Tudo que ela ama jamais poderia ser deixado para trás dessa forma. Afinal, Pocahontas é um espírito livre e jamais poderia ser “domada” indo para longe da sua terra viver em um lugar desconhecido. Claro que ela faz isso na continuação do filme que não tive interesse de assistir até hoje, então vamos focar apenas no filme original.

Logo depois de se despedir de John Smith, vemos, então, um dos finais mais lindos e épicos do estúdio. Ao ver o navio colono partir, Pocahontas corre por toda a floresta, acompanhando seu movimento, enquanto a música de Alan Menken vai atingindo tons cada vez mais altos, até que ela chega à ponta da pedra onde primeiro vimos ela, no início do filme.

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O vento, que representa os espíritos ancestrais durante toda a trama, passa por ela e segue para o mar, atrás do barco, onde passa por John Smith que suspira e sorri e, logo depois, empurra as velas do navio, aumentando sua velocidade naturalmente. É quando Pocahontas faz um gesto de adeus e John Smith faz o mesmo. A imagem se torna uma pintura histórica e a melodia de “Cores do Vento” chega ao seu maior tom logo antes de a tela escurecer. É de chorar uma cena tão linda e poética como essa.

Pocahontas é um filme sobre a natureza, sobre liberdade, sobre a luta contra o preconceito e contra a ignorância. Fala sobre desigualdade e o principal problema das grandes guerras que vemos hoje em dia em todo o mundo: a falta de diálogo. Ela é um exemplo real, já que realmente existiu, de que nada supera a boa e velha conversa quando se trata de interesses conflitantes, guerras e exploração.

A História está aí pra provar que nada de bom se consegue com violência e ignorância. Vamos aprender com Pocahontas. Vamos com as cores do vento colorir. Do mesmo jeito que comecei esse texto com uma saudação indígena, me despeço também de vocês com a esperança de que, assim como Pocahontas fez com John Smith, eu tenha aumentado sua vontade de assistir a esse lindo filme e aprender com ele. Ana!

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Sobre o Autor(a)

Estudante de Administração, nerd, cinéfilo, colecionador e uma eterna criança. Não exatamente nessa ordem…



  • IF97

    Bom reler esta crítica, persebi que os artigos de hoje estão mais maduros e concretos, e cada vez com uma qualidade melhor 😀

  • Pedro

    Muito bom artigo. Pocahontas foi um ótimo filme, e “Color of the Wind”, uma das melhores canções da Disney. Quanto ao personagem de John Ratcliffe, não vi grandes problemas. De fato ele é pouco ativo, como seria de se esperar de um aristocrata inglês. É um vilão de tom mais realista, e que nem mesmo seria necessário existir na história como vilão, já que o conflito ali decorre do choque de culturas e de interesses. Mas a presença de um vilão sempre ajuda o andamento da história. Ratcliffe é um vilão que serve para favorecer e agilizar o conflito entre as partes, mais ou menos como o Amos Slade de “O Cão e a Raposa”.

  • Richelle Carcanha

    Você apenas esqueceu de dizer que o final do filme não faz sentido algum. No começo do filme, quando o guaxinim gosta da bolacha que ele oferece, John Smith fala: “tente comer isso por quatro meses seguidos”. Ou seja, a viagem da Inglaterra até a Virgínia durou quatro meses. E, quando John Smith é ferido à bala, tem que voltar “às pressas” para o velho mundo para procurar ajuda médica. Na boa, se ele sobreviver quatro meses inteiros em meio ao mar aberto, então ele não morreria mais, pois a ferida, infecção ou qualquer outra consequência do tiro já teria sido curada naturalmente. Então, ele certamente, poderia ficar com a Pocahontas, se quisesse. Adoro os filmes da Disney, mas esse é um que nunca tive curiosidade de assistir. E agora que finalmente assisti, sei o motivo: decepção total!

    • Pedro

      Bom pontos. O problema é que a produção precisava justificar a separação do casal e não se preocupou muito com a plausibilidade da situação.
      Havia elogiado o filme dois anos atrás, quando o vi pela primeira vez, mas queria reconsiderar um pouco, pois havia sido indulgente com problemas que já havia percebido. O filme tem algumas cenas bonitas, duas belas canções, “Color of the Wind” e “Savages”, mas não há muito mais a apreciar. O filme escamoteia demais a realidade histórica e se torna inconvincente. E o visual de John Smith chega a ser ridículo, de tão exageradamente belo.