Clássicos na Crítica | O Corcunda de Notre Dame

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SPOILERS! Aqui na Clássicos na Crítica, nós já falamos sobre diferentes filmes da Disney, desde o mais antigo Branca de Neve e os Sete Anões (1937), até os mais modernos, como Atlantis: O Reino Perdido (2001). Nesse mês, iremos revisitar O Corcunda de Notre Dame (1996), um dos clássicos mais marcantes e inesquecíveis. Fiquem avisados que o texto a seguir contém revelações sobre pontos-chaves da trama.

A animação, com certeza, é a mais adulta dentre todas dos estúdios e não encanta os mais jovens com facilidade. Quando crianças não podemos perceber a sutileza de sentimentos colocados na animação em si ou nos identificar com as motivações dos personagens. Justamente por isso, se ainda não o fez quando criança, sugiro que assista ao filme. Dê uma chance ou, quem sabe, uma segunda chance.

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Após o sucesso de A Bela e a Fera (1991) de público e crítica, produtores e diretores acreditaram que o estigma de que animações são voltadas apenas para o público infantil estava acabando e que adultos dariam uma chance para uma obra mais séria. Eles, então, escolheram produzir um filme que não se baseava em contos populares em reinos fantásticos com princesas, e sim, em uma famosa obra literária francesa chamada “Notre Dame de Paris”, escrita por Victor Hugo (“Os Miseráveis“).

Pessoalmente, quase sempre prefiro as obras originais se comparadas a suas adaptações cinematográficas, como “Peter Pan“, de J.M. Barrie. No entanto, julgo a animação, principalmente o roteiro, de O Corcunda de Notre Dame um produto melhor do que seu livro clássico. Claro que quando afirmo isso não analiso estética literária, maestria com palavras ou importância histórica, nem teria competência para tanto. O livro de Victor Hugo é denso e recheado de piadas políticas e críticas sociais as quais, para o público atual, não fazem o menor sentido e pouco entretém. Algum dos Camundongos já leu o romance francês? O que achou?

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A trama das duas obras são diferentes em vários pontos. Frollo, por exemplo, é uma padre no livro e cuida de Quasímodo por real compaixão. O Corcunda, por sua vez, é mais agressivo, um pouco surdo e ama Notre Dame ao invés de vê-la como uma prisão. Esmeralda, no original, perde seu charme e sagacidade, é na verdade uma garota inocente e, muitas vezes, boba. Phoebus perde seu heroísmo e não passa de um mulherengo interesseiro. Se nas páginas não conhecemos as três gárgulas, em compensação temos a presença de Pierre Gringoire, um rapaz com quem Esmeralda se casa para que ele não morra nas mãos dos ciganos.

A adaptação do livro para animação ficou nas mãos da mesma equipe que trabalhou junta em Atlantis: O Reino Perdido, composta pelos os diretores Gary Trousdale e Kirk Wise (A Bela e a Fera), do roteirista Tab Murphy (Tarzan) e do diretor de arte David Goetz (Enrolados).

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O filme começa com uma panorâmica da antiga Paris enquanto ouvimos os sons dos pesados sinos da catedral. Clopin, um dos ciganos, abre a história com um número musical, no qual nos conta a história de como Quasímodo foi pego por Frollo. Na realidade, descobrimos que Frollo, o juiz, persegue ciganos e matou a mãe de Quasímodo por acidente. Ele jogaria o bebê em um poço se o padre não tivesse o impedido. Temendo Notre Dame e consequências divinas, ele aceita criar o bebê, contanto que ele nunca deixe o campanário da catedral.

A primeira canção, “Sons de Notre Dame”, nos mostra logo de início a importância da trilha sonora para esse filme. Ela deixa qualquer um arrepiado, não apenas por suas belas letras, mas também por seus corais de igreja e órgãos fortes. Os responsáveis pela trilha e canções foram os veteranos Alan Menken (A Bela e a Fera) e Stephen Schwartz (Wicked). Os dois gravaram suas canções em Londres, com a Orquestra Nacional Inglesa e instrumentos grandiosos, como antigos órgãos de igreja.

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Na verdade, “Sons de Notre Dame” foi um dos últimos números musicais feitos para o filme. Eles planejavam começar a história com uma narração e um flashback, mas isso não agradou os produtores, ainda bem. Abrir o filme com essa canção causa um impacto muito maior e nos apresenta de cara o tom do filme.

Em seguida conhecemos Quasímodo, agora com vinte anos. É dia do Festival dos Tolos, e tudo o que ele quer é descer de sua torre e ir aproveitar o evento na praça, com todos os parisienses comuns. Em duas décadas, ele nunca pisou fora da Catedral. Por não ter com quem conversar, Quasímodo se abre com suas amigas Gárgulas. Esses três personagens simpáticos chamados Victor, Hugo e Laverne existem somente na imaginação do rapaz, e ganham vida apenas quando ele está sozinho.

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Quasímodo foi animado por James Baxter, que criou seu design visando tornar o personagem alguém que transmitisse força sem ser musculoso ou atlético. Todas as deformidades características do personagem, como sua corcunda, estão presentes. No entanto, sua simpatia e carisma são imensas e pouco notamos seus defeitos. Um excelente trabalho de atuação através do lápis.

Ele está prestes a sair de seu esconderijo quando Frollo o visita e, logicamente, o ordena a nunca sair de lá. Percebemos então que Frollo é um dos piores e mais cruéis vilões do universo Disney. Ele vem abusando psicologicamente de Quasímodo, alguém que o vê como um pai, por todos esses anos. Fazendo-o se sentir como um monstro e o obrigando a dirigir-se a ele como “mestre”.

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É hora do personagem principal cantar a canção onde explica seus desejos mais profundos. No caso de Quasímodo, a canção se chama “Lá Fora”, e é de tirar o fôlego. Durante todo o número musical Notre Dame mostra seu esplendor. Os artistas de cenário, dirigidos por Lisa Keene, fizeram um ótimo trabalho. A equipe do filme viajou a Paris, além de contar com cerca de cem artistas locais que contribuíram para a animação.

Quem teve a chance de conhecer a real Notre Dame sabe que as semelhanças entre a catedral e sua versão animada são imensas, as duas são quase idênticas. Na verdade, a maior diferença é o fato da igreja do filme aparentar ser muito maior, tanto exteriormente quanto interiormente. O fato de terem viajado e de terem profissionais locais trabalhando na obra tornou tudo mais autêntico. Eles não se basearam em fotos para criar, puderam ver as estruturas de perto. Reparar em sua imponência e em como luz e trevas tomam o local, dia e noite.

Lá Fora“:

Vale a pena assistir novamente a esse momento, porque jamais serei capaz de fazer jus com minhas palavras. Ah, e fique atento, pois em determinado momento poderá ver Bela, de A Bela e a Fera, passando distraída com seu livro.

Phoebus é um soldado que acaba de voltar da guerra e chegar à cidade por ordem de Frollo. Perdido, ele está procurando por alguém que possa lhe mostrar o caminho quando vê Esmeralda dançar por trocados e se encanta. Ele a defende de policiais que querem prendê-la e, assim, percebemos que Phoebus possui uma personalidade bondosa. Aprendemos também que ele é justo quando, ao conhecer o juiz, se mostra sem vontade de perseguir ciganos apenas por eles serem um povo diferente dos parisienses.

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O personagem foi animado por Russ Edmonds, e planejado para ser um personagem em formato retangular, comum e humano. Bem diferente dos príncipes com os quais estamos acostumados. Ele comete erros, deixa sua barba por fazer, apanha, faz piadas, tem piedade e compaixão. O soldado nos conquista por sua personalidade e senso de justiça, não por sua aparência.

Na cena seguinte, descobrimos que Quasímodo tomou coragem e decidiu, por fim, ir pessoalmente ao Festival dos Tolos, coberto apenas por uma capa. E que loucura é esse festival! Há confetes e bebida por todo o lado. Todos dançam e cantam alegrados por Clopin. É então que, ao cair acidentalmente em uma tenda, ele conhece Esmeralda. Assim como Phoebus, ele se apaixona no mesmo instante.

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Computação gráfica foi utilizada em diversos momentos nessa cena. Eles adicionaram elementos como confetes e pessoas. Sim, pessoas! Quase toda aquela multidão foi feita por um simulador. Os animadores criavam cerca de seis tipos diferentes de personagens, com roupas distintas. O computador, então, escolhia de maneira aleatória quais movimentos fazer, dentre setenta e duas opções, e formava aquela aglomeração de pessoas. Você poderá perceber quais personagens foram feitos por computador e quais foram feitos à mão, se prestarem bastante atenção.

Um dos momentos mais aguardados por todos os cidadãos é a hora na qual Esmeralda se apresenta em uma dança solo. Dentre tantos rostos na multidão, está o de Frollo, o qual, assim como nossos dois heróis, é enfeitiçado pela moça no momento que a vê. Assim como no livro, ela é o elemento que une todos os núcleos da trama.

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Essa cena também é fantástica pela animação em si, feita por Tony Facile. Esmeralda é diferente de outras personagens Disney, ela não possui feições delicadas ou meigas. Ela é uma mulher adulta que traz consigo sensualidade em vez de inocência. Nessa cena, sua roupa foi propositalmente sombreada para que desse a impressão da personagem estar nua. Pobre Tony! Não consigo imaginar o trabalho de animar um personagem cheio de acessórios como brincos, tiaras e lenços. Um desenho errado, e notaríamos.

A próxima etapa do festival é escolher o homem mais feio de Paris como Rei dos Tolos. Para o azar de Quasímodo, Esmeralda acha que seu rosto não passa de uma máscara e o coloca no palco para competir. Ao descobrirem que aquela é sua aparência real, todos se assustam. É a primeira vez que encontram o misterioso sineiro de Notre Dame. Clopin o salva e, de uma hora para a outra, todos o carregam e o coroam como rei. Quasímodo está radiante de alegria por ser tocado e amado mesmo que por instantes.

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Há, no entanto, alguém que não aprova em nada a situação: Frollo. O juiz, então, permite seus soldados humilharem Quasímodo e atiçarem a multidão a fazer o mesmo. Logo, ele é amarrado enquanto lhe atiram frutas. Phoebus pede para interferir, aquilo mas Frollo não permite. Quando Quasímodo não tem mais forças, e implora por ajuda, Esmeralda intervém.

Sua aparição é angelical, a trilha sonora e a iluminação da cena mudam. Ela liberta o rapaz, contrariando Frollo, e é perseguida por diversos soldados, dez na verdade. Ela os despista com agilidde e truques, o que faz Frollo acreditar que ela é uma bruxa. No fim, sob uma fraca chuva, Quasímodo retorna à Notre Dame arrependido de ter saído e com mais medo do mundo do que antes.

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Phoebus vê a cigana se refugiando na igreja e a segue. O casal não se apaixona à primeira vista, na verdade, os dois discutem até que o soldado a obriga a clamar “Santuário”. Clamar Santuário quer dizer que a pessoa pediu abrigo na catedral e não pode ser tocada até que saia. Frollo ordena que haja um policial em cada porta de Notre Dame, assim que Esmeralda sair ela deve ser capturada.

Presa na igreja, Esmeralda reza em forma de canção. A música é “Salve os Proscritos”. Se em “Lá Fora” pudemos ver o exterior de Notre Dame, é hora de vermos toda a beleza de seu interior e seus belos vitrais. Novamente vemos a computação gráfica trabalhar a favor da animação tradicional para melhor contar a história. Detalhes como poeira, luz e o reflexo dos vitrais foram adicionados à cena por computador para criar o clima certo.

Salve os Proscritos”:

Após sua oração, Esmeralda vê Quasímodo. Ele tenta fugir, mas ela o segue até o campanário, onde se desculpa e tem a chance de conhecer o mundo do sineiro. Ele passou todos esses anos construindo uma maquete real de Paris. Ele mostra a moça todos os sinos e a bela vista que tem do por-do-sol no telhado da catedral. Depois de ela dizer que ciganos não sobrevivem em quatro paredes, ele concorda em ajudá-la a escapar. Carregando ela no colo, ele escala a igreja até o chão, despistando os soldados de Frollo. Antes de partir, ela lhe entrega um medalhão, e diz que ele deve usá-lo quando quiser achá-la.

A próxima sequência traz duas canções que na verdade funcionam como uma. A primeira metade se chama “Luz Celestial”. Nela, Quasímodo revela seu amor por Esmeralda e como pela primeira vez se sente otimista com sua vida. Não podemos evitar sentir pena, pois sabemos que Esmeralda, apesar de gentil, nunca alimentou os sentimentos do rapaz. Sabemos que ele não será correspondido.

Luz Celestial”:

Já em “Fogo do Inferno”, vemos Frollo, que também declara seus sentimentos por Esmeralda, mas eles são totalmente diferentes dos de Quasímodo. O que ele sente não é amor, é luxúria e sede de poder. Além disso, diferente de Quasímodo, que atribui seus sentimentos aos céus, Frollo culpa o inferno e seus demônios por seus sentimentos. A animação do fogo dançanado como Esmeralda é belíssima.

Em um meio quase dominado por homens, fico feliz em dizer que Frollo foi animado por uma mulher, Kathy Zielinski. É fantástico que uma mulher tenha sido responsável por um personagem sério ao invés de alguém fofo ou feminino. Um dos vilões mais reais e cruéis da Disney, na verdade, do cinema.

Fogo do Inferno”:

Frollo descobre que Esmeralda fugiu da catedral e decide procurar por toda a Paris, mesmo que para isso precise queimar toda a cidade. Sua loucura é tamanha, que começa a incomodar Phoebus. O soldado não está disposto a matar e prender cidadãos sem motivo. Ao ser ordenado a queimar um moinho com uma família dentro, ele renuncia seu cargo. Ele foge mas não sai ileso, é acertado por uma flecha nas costas, pelos homens de Frollo, e salvo secretamente por Esmeralda.

Enquanto Frollo queima a cidade, Quasímodo se preocupa com a cigana em sua torre. As Gárgulas o encorajam a perseguir o amor, dizem que Esmeralda o ama e, aos poucos, o rapaz começa a acreditar que isso é possível. O momento serve como uma leve descontração, as três agem durante todo o filme como alívio cômico. O único alívio cômico.

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Esmeralda bate à porta de Quasímodo e pede que ele esconda Phoebus, que está ferido, no campanário, e ele aceita. Mais uma vez vemos o coração de Quasímodo ser partido. Esmeralda está grata por Phoebus ter salvado a família do moleiro, arriscando sua vida. Por isso, cuida de seus ferimentos. Os dois, então, se percebem apaixonados um pelo outro verdadeiramente e, no quarto de Quasímodo, se beijam enquanto ele vê.

Não temos muito tempo para ficar triste, pois momentos seguintes, Frollo aparece e Esmeralda foge. O juiz então manipula Quasímodo até que ele confesse que ajudou a cigana a fugir. Frollo diz que irá atacar o esconderijo dos ciganos com mais de mil homens quando o sol nascer. Tudo não passa de um blefe mas funciona, pois é o suficiente para Phoebus e Quasímodo partirem juntos em busca do esconderijo, o Pátio dos Milagres. Eles utilizam o medalhão dado por Esmeralda como mapa.

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Pátio dos Milagres fica nos esgotos de Paris, cheio de caveiras e podridão. Os dois são pegos em uma cilada pelos ciganos e apenas não são enforcados porque Esmeralda os salva. Eles avisam sobre a vinda de Frollo, mas é tarde demais, o juiz os seguiu com todos os seus soldados e prende todos, inclusive Quasímodo que é amarrado no topo de Notre Dame com correntes de metal.

Esmeralda recebe o mesmo tratamente de alguém considerada uma bruxa na época, o julgamento na fogueira. Na realidade, Frollo a oferece duas opções, ficar com ele ou ser queimada viva. Ela se mantém firme e escolhe o fogo. A possibilidade de vê-la queimar faz com que Quasímodo tenha forças e se liberte das correntes.

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Ele, então, resgata Esmeralda, a leva para o topo de Notre Dame e clama “Santuário!”. Dessa vez, no entanto, Frollo não se importa e ordena que seus homens invadam Notre Dame. Enquanto o corcunda defende a igreja, Phoebus lidera os camponeses para que possam resistir à tirania de Frollo. As gárgulas, imaginárias ou não, também auxiliam na batalha.

Nos momentos finais, Frollo encontra Quasímodo no topo da catedral, enquanto o rapaz tenta reanimar Esmeralda que desmaiou devido à fumaça. O juiz tenta apunhalá-lo pelas costas e revela seus verdadeiros sentimentos, seu desejo de ter matado Quasímodo anos atrás. Uma perseguição se inicia, os três pulam e se penduram pelas gárgulas. Frollo está completamente desequilibrado. A cigana e Quasímodo tentam salvá-lo, mas Frollo enfrenta o mesmo destino de tantos outros vilões Disney: cai do alto de uma construção ao encontro da morte, nessa caso, o fogo.

Paris Burning“:

O sol ressurge e a chuva se vai. Todos os cidadãos de Paris comemoram sua vitória contra Frollo. Esmeralda, sempre gentil, encoraja Quasímodo a sair mais uma vez da catedral. O rapaz fica apreensivo devido à sua última experiência — quem não ficaria? —, mas aceita. E então, temos a cena mais tocante da obra, uma criancinha sobe as escadarias e o toca, o abraça, como um ser normal. Ela consegue ver o que Quasímodo é por dentro e ele retribui. Ao ver a reação de Quasímodo, se você não estiver chorando, estará abrindo um imenso sorriso.

O desfecho dos personagens é muito mais otimista do que a original, mas não pense que foi apenas por ser uma versão Disney. Victor Hugo já havia permitido esse final quando aprovou uma ópera baseada em seu livro. Ouvimos mais uma vez “Sons de Notre Dame” e somos levados aos créditos pela música “Um Dia”, interpretada por Ed Motta no Brasil.

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Sabemos que, via de regra, a versão em Inglês é a mais próxima do que o diretor imaginava para os personagens. E esse filme carrega grandes nomes em seu elenco como a atriz Demi Moore e vencedor do Oscar®, Kevin Kline. Porém, como espectadora, sinto pena daqueles que não falam Português, pois Marcelo Coutinho não fez apenas um bom trabalho de dublagem, ele fez um trabalho superior ao original, na minha opinião, claro. Principalmente quando interpreta as músicas.

Recentemente a obra ganhou sua versão em musical e foi muito elogiada. As canções foram adaptadas e algumas originais foram criadas por Alan Menken. A produção ainda não chegou aos palcos da Broadway, mas torcemos para que siga o mesmo caminho de A Bela e a Fera, O Rei Leão e Aladdin. Por enquanto, podemos apreciar a nova trilha comprando o álbum ou ouvindo em aplicativos de streaming como Spotify. Ouçam Michael Arden como Quasímodo.

Out There”:

O filme chegou aos cinemas dos Estados Unidos no dia 21 de Junho de 1996 e se tornou a quinta maior bilheteria daquele ano, arrecadando cerca de 425 milhões de dólares em todo o mundo. Por sua trilha sonora ele foi indicado para o Academy Awards e ao Globo de Ouro. Há muitos que acreditem que essa é a melhor parte do filme. De fato, Menken se superou e criou uma trilha grandiosa. É uma pena, e injustiça, que não ter sido premiada.

A recepção por parte da crítica foi ótima, a qual o considerou um excelente filme, além de corajoso. Seu grande fracasso, porém, foi com seu público, por dois motivos: primeiramente, ainda existe a errada concepção de que animações são feitas para crianças. Desse modo, o filme, de certo modo, errou seu alvo. Não vendeu para adultos e tampouco divertiu crianças. E, sem entreter crianças, não há vendas de bonecos e afins. Em segundo lugar, o filme foi boicotado por algumas igrejas e países. Alguns religiosos acreditaram que a obra ia contra seus valores, mesmo com todas as adaptações feitas e mensagem contra preconceitos.

Making of de O Corcunda de Notre Dame – Parte 1:

Além disso, alguns fãs de Victor Hugo, e os descendentes do autor, não gostaram do pouco crédito que o autor recebeu e das mudanças feitas pela Disney. Eles alegaram que os roteiristas tornaram a história vulgar, a censuraram e a fizeram apenas para vender. Não são alegações incomuns quando clássicos são adaptados mas, na minha opinião, são tolas. A maioria que reclama desse modo se esquece que uma adaptação nunca será uma representação literal da obra original.

Mesmo com uma recepção não tão positiva, uma sequência lançada apenas para o Home Vídeo foi feita. Em 2002, foi lançado O Corcunda de Notre Dame II. O filme mostra o futuro de Quasímodo, no qual ele continua tocando os sinos e é amigo de Esmeralda e Phoebus, que agora têm um filho. Um circo chega à cidade e logo Quasímodo e uma jovem circense, Madellaine, se apaixonam. Querem um conselho? Esqueçam que essa obra existe. Ela é pobre em todos os aspectos: roteiro, trilha, animação. É boba e nem ao menos diverte.

Making of de O Corcunda de Notre Dame – Parte 2:

Geralmente, no fim, eu tento apontar coisas das quais não gostei no filme. Mas, nesse caso, não encontrei defeito algum. Os personagens conquistam, os cenários nos levam para a Paris antiga e a trilha arrepia. O roteiro foi escrito com cuidado e aborda temas pouco vistos em animações tradicionais. Adoraria ver esse filme nos cinemas novamente, ou pelo menos recebendo mais atenção da empresa que não produz nenhum tipo de produto com a marca e, nos parques, finge que o filme nunca aconteceu.

Quero muito ouvir a opinião de vocês, sabem se se arrepiaram tanto quanto eu ao assistir! Então não deixem de comentar. Separei para vocês um curto making of do filme, com gravações dos atores atuando para gravação das falas, sessões de música com a orquestra de Londres e vários animadores falando sobre seus personagens — assista, acima, aos dois vídeos do making of.

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Sobre o Autor(a)

Designer Gráfico, Disney freak, viciada em café, quer ser roteirista e princesa quando crescer. Têm mais livros do que deveria e leu mais vezes “Orgulho e Preconceito” do que têm coragem de admitir.



  • Pedro

    Prefiro a versão portuguesa de ‘Hellfire’. Achei que a brasileira suavizou a coisa com aquilo de “meu beijo tão terno”. Os portugueses foram mais fiéis ao espírito da canção original, a meu ver.

  • rodrigo duarte

    Sempre me arrepio assistindo, do mesmo jeito quando O Rei Leão começa por exemplo, O Corcunda de Notre Dame pra mim é um dos melhores filmes de todos os tempos, ainda não me conformo que Emma tenha levado o Oscar de melhor trilha sonora e nenhuma das lindas canções da animação tenham sido indicadas ao prêmio, só pode ser por birra do Menken, que sempre tava emplacando um sonzinho na festa do cinema, fazer o que se ele é o cara?!… Premiar, oras!

    • Pedro

      E as canções de O Corcunda de Notre Dame estão entre as melhores de Menken. Muito melhores que as Enrolados, diga-se de passagem.

  • Paulo Henrique

    O filme é um subestimado clássico dos anos 90.Só não concordo que a dublagem brasileira tenha ficado melhor que a original, principalmente nas músicas. Hellfire no original ficou muito superior, aliás a voz original de Frollo é uma das mais impactantes de qualquer filme Disney. Não que a brasileira tenha sido ruim, pelo contrário, é ótima também…O que enfraqueceu o trabalho final foi a mudança de vozes quando Frollo canta Hellfire (já que o dublador dos diálogos não é o mesmo que interpreta a música).

  • Jota PDF

    Um dos meus favoritos, justamente por sua ousadia. Todos os padrões vistos nos contos clássicos da Disney são jogados fora e dão lugar a uma história complexa sobre liberdade e preconceito. Desde o mocinho ao vilão, O Corcunda de Notre Dame inova. Queria que o filme atingisse níveis ainda mais obscuros, mas acho que, sendo uma animação da Disney, já foi longe o suficiente.

    A trilha sonora é divina e combina perfeitamente com o clima do filme. Entre as minhas faixas favoritas, está “Salve os Proscritos”. Mesmo não sendo religioso, fiquei emocionado ao ver um pedido de socorro tão sincero. Também cito “Fogo do Inferno”, por ultrapassar todos os limites. Músicas de vilões da Disney normalmente narram seus planos ou inflam seus egos, mas esta era uma confissão. Frollo revela seu desejo sexual pela cigana, o que entra em conflito com o ódio que ele tem pelo povo da mesma. Um homem tão puro, que ele crê ser, não sentiria esse desejo. É culpa da Esmeralda. Ela o enfeitiçou. Ela é demoníaca. Ver um conflito interno tão intenso é incrível. Além dessas canções, também amo os instrumentais, que nunca perdem o tom épico.

    O final também é outra ousadia. O mocinho não fica com a mocinha. Mas ele a ama o suficiente para entender que ela será feliz com outro homem, e apoia que ela assim o faça. Outra mensagem muito bonita. No fim, O Corcunda de Notre Dame revela um nível imenso de sensibilidade e profundidade. Definitivamente não teve o reconhecimento que merecia.

  • Gui ED

    Poxa o que dizer desse filme…

    É muito raro vermos a Disney apostar em algo mais obscuro e menos infantil e como fã de DIsney e musicais, digo sem medo de errar que é um dos melhores filmes da Disney.

    Outra coisa que me chama muita atenção no filme são as críticas escondidas. O filme se passa há tantos anos atrás e as críticas continuam recentes. Hipocrisia, intolerância, conflitos internos, preconceitos e muito mais.

    A cena em que Esmeralda canta na igreja e mostra diversos “fiéis” orando e clamando a Deus até virem ela e mesmo dentro da igreja começam a insultá-la, isso a meu ver é uma coisa SUPER ATUAL e algo que não tinha reparado há 10 anos atrás quando vi o filme pela primeira vez, obviamente.

    A música do Frollo falando sobre o DESEJO que sente pela Esmeralda foi algo completamente novo nos filmes da Disney e interessante para nós, público adulto, pois estamos mesmo vendo em uma ANIMAÇÃO DISNEY um personagem assumir sentimentos de uma relação de poder e luxúria misturado as acusações de que ela é do inferno. #PESADO

    Talvez a única coisa que eu não goste desse filme é a música das gárgulas pois alimentam uma falsa esperança no Quasímodo que me deixa com muita dó, pois sabemos q não via acontecer, maaas não deixa de ser fofinha e como tmb tem que agradar algumas crianças não deveria deixar de ter.

    Outra coisa importante a meu ver são as semelhanças que o clássico tem com a Bela e a Fera, confesso que descobrir que os dois filmes possuem o mesmo diretor não me deixou surpreso. São diversas referências e semelhanças, inclusive a própria Bela que aparece, que só me fazem amar ainda mais o filme já que A Bela e a Fera é, na minha opinião, o melhor filme da Disney.

    Agora no quesito trilha sonora esse não é só um dos melhores da Disney como um dos melhores da HISTÓRIA DO CINEMA. Realmente uma pena não ter ganhado nenhum Oscar e a canção Out There não ter sido ao menos indicada, para mim isso foi um crime. Uma pena já que o Allan Menker ganhou tantos prêmios por outros trabalhos, digamos, inferiores a esse, como Pocahontas. Não dizendo que é ruim, mas inferior ao Corcunda, NA MINHA OPINIÃO.

    Bom, novamente parabéns pelo seu texto. Seu primor com as palavras é realmente impressionante. NÃO PARE DE ESCREVE rsrs