Clássicos na Crítica | Branca de Neve e os Sete Anões

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Todos nós, fãs, temos aquele filme que gostamos mais. Aquele, que já vimos dezenas de vezes e sabemos as canções de cor. Seja qual for sua animação Disney favorita, ela provavelmente não existiria sem a obra da qual falaremos na Clássicos na Crítica desse mês. Em 21 de Dezembro de 1937, chegava aos cinemas Branca de Neve e os Sete Anões. O filme não apenas mudou a indústria do cinema, como também tudo o que imaginamos sobre contos de fada e contar histórias.

Imagine criar um filme inteiramente novo. Como assim, com uma história nova? Não, não. Com uma técnica e linguagem inteiramente novas. Tipo uma adaptação? Não! Algo nunca visto, sem público certo ou previsão de lucros de bilheteria. Difícil imaginar um cenário assim, não é? Bem, foi nesse cenário que Walt Disney decidiu mais uma vez evoluir suas produções.

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Walt sempre foi um inovador. Na época, ele já havia feito os primeiros filmes com som e cores, criado um dos personagens mais famosos de todos os tempos, Mickey Mouse, e se tornado um famoso produtor de animações. Ele poderia ter parado e apenas repetido suas fórmulas de sucesso mas preferiu se arriscar e decidiu que iria fazer o primeiro longa-metragem animado.

A reação da indústria e de alguns amigos foi de incredulidade. “É claro que isso será um fracasso”, pensavam todos. Acreditavam que seria a ruína do jovem Walt Disney e que sua empresa de desenhos iria à falência. De novo. Na verdade, ao longo da produção, Walt precisou pedir mais dinheiro ao banco. Roy convidou os bancários para assistir a uma versão não finalizada do filme e, ao fim da sessão, eles concordaram em dar o dinheiro imediatamente. Roy, como sempre, salvando Walt financeiramente.

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Algo tão grande, e caro, nunca havia sido feito. E nem sonhado. Alguns chegavam a dizer que olhar tanto tempo para uma tela com desenhos coloridos e vibrantes faria mal aos olhos. Quem pagaria por algo assim? Por isso, Walt sabia que não poderia preencher uma hora e meia apenas com piadas visuais. Teria que comover a todos, fazer a plateia acreditar que aqueles traços se movendo eram personagens reais. Mas qual história contar?

Walt decidiu-se por Branca de Neve por dois motivos. Primeiro, porque se encantou pela história quando era criança e viu uma versão sem som em 1916. E segundo, porque achava que o conto de fadas, originalmente escrito pelos irmãos Grimm, possuía todos os elementos necessários para entreter. Havia uma heroína carismática, uma vilã perversa, e sete simpáticos anões para carregar o humor. Além disso, era uma bela história de amor que mostrava o bem vencendo o mal.

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Para convencer seus animadores e artistas que produzir Branca de Neve era uma boa ideia, Walt os reuniu e contou toda a história, interpretando cada personagem. Sua versão era mais leve do que a original.

Era mágica. Os animadores da época contam que nem mesmo a versão final do filme era tão encantadora quanto a versão encenada por Walt. Infelizmente, nunca saberemos como foi ouvir a história do próprio Walt. Podemos apenas assistir seu legado e nos encantar. Prontos para apertar o Play?

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A abertura do filme é a mais clássica e simples possível, vemos um livro se abrir enquanto o narrador nos conta o início da história: “Era uma vez uma linda princesinha, chamada Branca de Neve. Sua vaidosa e malvada madrasta, a Rainha, notou um dia que a beleza de Branca de Neve excederia a sua (…)”. Esse mesmo estilo se repetiu em Cinderela (1950) e A Bela Adormecida (1959).

Vemos então um castelo ao longe e nos aproximando cada vez mais. Para que cenas como essa fossem possíveis, uma nova tecnologia foi criada: a câmera de multiplano, que permitia artistas criarem a ilusão de profundidade nas cenas utilizando diferentes camadas de cenários e personagens. Complicado de entender? Que tal deixarmos o próprio Walt explicar?

Walt Disney apresenta a câmera multiplano:

Em seguida, vemos a clássica cena da Rainha Má, fazendo a mais famosa das perguntas: “Fala, mágico espelho meu. Quem é mais bela do que eu?”. Para sua surpresa, ele diz que há uma uma moça mais bela do que ela, Branca de Neve. Mesmo sendo um filme arriscado, Walt e sua equipe escolheram colocar como protagonista e antagonista, duas mulheres. Quão fantástico é isso, mesmo nos dias de hoje?

Apesar de filmes Disney serem um sucesso entre o público infantil, Walt não visava apenas os pequenos. Percebe-se isso desde o primeiro instante, pois o filme se inicia de maneira sombria. Além da trilha, tomemos o espelho como exemplo. Ele é extremamente sinistro, nem ao menos possui olhos, e, como diz a rainha, vem direto das trevas.

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Quando conhecemos Branca, ela está limpando os degraus do castelo enquanto canta. Nossa heroína, assim como no conto original, possui cabelos negros como o ébano, lábios vermelhos como a rosa e pele branca como a neve. É interessante perceber como os padrões da época mudaram se comparados aos de hoje. Branca é arredondada e suas proporções são consideravelmente corretas se comparadas à Ariel ou Elsa. Para torná-la ainda mais real, maquiagem de verdade foi aplicada nas bochechas de Branca de Neve.

Os cenários dessa obra são deslumbrantes. Feitos em aquarela, eles realmente parecem ter saído de um livro antigo de histórias e se encaixam perfeitamente com o estilo dos personagens. O trabalho de arte conceitual e designs iniciais ficaram nas mãos do artista Albert Hurter, que também trabalhou anos depois em Pinóquio (1940).

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Um príncipe, que passa a cavalo, escuta Branca de Neve e se une a ela em um dueto. É amor à primeira vista. Hoje, esse fato seria criticado mas convenceu o público da década de 1930. É fácil notar que o príncipe não se move de maneira natural. Até mesmo Walt não achava que seus animadores conseguiam animar homens de maneira convincente e reduziu a participação do personagem para cerca de dois minutos durante todo o filme!

Movida pelo ciúmes, a Rainha manda seu caçador matar Branca de Neve e trazer seu coração em uma caixa para provar o feito. No entanto, ele sente pena da moça e desiste de matá-la. Diz que ela deve correr e se esconder, pois a Rainha nunca desistirá de destruí-la.

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Apavorada, Branca de Neve corre pela floresta. Seu medo a faz ver, onde há apenas árvores e animais, monstros horripilantes. Ela consegue sair da floresta, em prantos, mas demora alguns instantes para perceber que está em segurança. Doces animais se aproximam e a princesa volta a se mostrar otimista e pronta para continuar sua jornada. Eles, então, a levam até uma pequenina casa no meio de uma clareira.

Branca, sem ter resposta ao bater, decide entrar no lugar. Para sua surpresa, a casa está uma bagunça! Os móveis são tão pequenos, que a moça passa a achar que a casa deve ser de sete crianças órfãs. Ela, então, tem uma ideia! Irá limpar tudo na esperança de poder ficar e se esconder de sua madrasta.

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A sequência da garota limpando a casa cantando uma feliz canção, com a ajuda de seus amigos animais, se tornou tão icônica, que foi referenciada em diversos filmes, incluindo Encantada (2007). Depois de Branca de Neve, quase todas as princesas Disney, como Cinderela e Pocahontas, tiveram animais como companhia e ajudantes.

Não podemos esquecer que a música é um dos elementos preferidos de Walt em um filme e, por isso, não poderia ficar de fora. Vinte e cinco canções foram escritas para o filme por Frank Churchill e Larry Morey, mas apenas sete estão na versão final.

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Aliás, Branca de Neve foi o primeiro filme a vender álbuns com sua trilha sonora para o público. Da próxima vez que tiver que fazer uma tarefa de casa, coloque “Aprenda uma Canção” para tocar. Realmente ajuda!

A seguir, deixamos Branca de lado por um momento e conhecemos os outros personagens da história, os sete anões, que trabalham em uma mina de pedras preciosas. Além da cena ser linda, cheia de cores e brilho, ela é embalada pela, provavelmente, mais famosa das músicas de contos de fada. Que tal relembrá-la?

“Eu Vou”:

Inicialmente, todos os anões seriam iguais, como na história original. No entanto, Walt havia aprendido com Os Três Porquinhos (1933) o quanto personalidades diferentes são importantes para envolver o público. Assim, sob a supervisão do animador Fred Moore, cada anão ganhou um nome que representava seu jeito de ser. Mais de quarenta nomes foram pensados antes de Mestre, Atchim, Soneca, Feliz, Dengoso, Dunga e Zangado serem escolhidos.

As diferentes caracterizações tinham como principal objetivo gerar alívio cômico. Principalmente Dunga, que possui até mesmo um andar diferente. Aliás, toda a cena, da mina a casa, estava pronta quando eles tiveram a ideia de mudar o andar de Dunga. O personagem teve que ser todo animado novamente.

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Quando chegam em sua casa, os homenzinhos percebem que algo está errado, pois, estranhamente, tudo está limpo. Apavorados, mandam Dunga até o andar de cima onde o anão então encontra Branca de Neve, adormecida, em suas camas.

Ela acorda e os implora para deixá-la ficar. É claro que Zangado é contra, já que teme que a Rainha venha procurar a princesa. Porém, após prometer sempre cozinhar, Branca de Neve é deixada ficar. A discussão seria muito mais longa mas a cena foi descartada antes de ganhar cores. Assista a seguir.

Cena excluída:

Após conquistá-los pelo estômago, é hora do jantar. Ela os trata como crianças e manda que todos se lavem antes de comer. Temos então uma cena que serve puramente como alívio cômico. Os sete se lavam ao redor de uma grande tina de água. Zangado, no entanto, se recusa a se lavar e é pego à força pelos amigos que, além esfregá-lo, colocam-lhe uma coroa de flores.

Outra cena descartada viria a seguir. A cena na qual todos eles tomam sopa e Branca lhes ensina a se comportar também foi desconsiderada após ser finalizada. Antes de assistir, um aviso: a música fica presa na cabeça.

“Uma Música na sua Sopa”:

Voltamos então ao castelo, onde a Rainha Má consulta mais uma vez seu espelho mágico e descobre que Branca de Neve está viva, escondida no bosque. Ela corre até seu calabouço e revela ser uma grande bruxa. Com direito a caldeirões, livros e poções.

Ela busca em seus livros algo que acabe de vez com a pobre princesa. Decide se fingir de velha para se aproximar da moça, e para isso prepara uma poção. A sequência de transformação é macabra e seu disfarce final representa a nossa mais clássica ideia de bruxa: voz arranhada, cabelos brancos e verruga no nariz. O design é perfeito e simples, vestindo apenas um trapo preto, ela é de arrepiar, um contraste imenso com sua versão elegante de rainha.

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Enquanto isso, Branca de Neve e os anões dançam após o jantar. A cena é leve e divertida, e é uma boa chance de perceber como os movimentos de Branca são parecidos com os de humanos reais, principalmente quando comparados aos caricatos anões. Isso acontece porque os animadores tiveram uma ajudinha na hora de animar.

Para garantir que tudo estaria pronto a tempo, utilizaram referências de atores reais. E em vários momentos desenharam por cima de fotografias, uma técnica chamada Rotoscopia. Trechos da dança entre Branca de Neve e os anões foram usados em outras obras Disney, como Robin Hood (1973).

“O Sonho que Sempre Sonhei”:

Depois da festança, os anões pedem que Branca lhes conte uma história. Ela decide contar como conheceu seu príncipe encantado. Os anões observam atentamente enquanto a moça canta a bela balada, “O Sonho que Sempre Sonhei“, também muito conhecida por sua versão original, “Someday My Prince Will Come“, que pode ser ouvida constantemente nos Parques Disney.

Enquanto a princesa e os anões dormem, a rainha termina sua poção fatal. Ela mergulha uma bela maçã no líquido, e a torna mortal. Antes de partir, percebe que seu plano possui uma falha, o feitiço pode ser quebrado. Como? Aposto que você já sabe a resposta: com o beijo de amor verdadeiro. O famoso beijo salvaria outros personagens como Aurora, Ariel e Fera.

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Enquanto a bruxa faz sua jornada até a casa do anões, Branca de Neve se despede deles pois estão saindo para as minas. Todos a advertem para tomar cuidado e não falar com estranhos, inclusive Zangado, que começa a demonstrar afeição. Sozinha, a princesa é surpreendia pela bruxa que finge ser uma pobre senhora vendendo maçãs.

Os animais percebem seu disfarce e tentam alertar a garota, mas ela é muito ingênua. A bruxa a convence que uma das maçãs é mágica, e irá realizar os mais profundos desejos de Branca de Neve. Basta uma mordida.

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Os animais correm em busca dos anões mas quando eles chegam, é tarde demais. Branca de Neve já mordeu a fruta e está em sono profundo. Eles então perseguem a rainha e a encurralam em um penhasco. A cena é nitidamente planejada para ser dramática, com direito a chuva, raios e trovões.

Mais uma vez temos uma cena que seria imitada por inúmeros outros filmes: o vilão morre ao cair de um lugar alto para que nosso heróis não precisem sujar as mãos. Vemos isso novamente em A Bela e a Fera (1991) e Enrolados (2010). A bruxa tenta esmagá-los com uma pedra e acaba caindo e sendo esmagada pelo rochedo.

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Após encontrarem Branca de Neve, os anões velam o seu corpo. Foi uma das cenas mais difíceis de se animar pois, apesar das proporções cartunescas, os sete anões deveriam convencer a plateia de seu luto. E conseguiram, fazendo a plateia da época chorar. É interessante notar que Zangado é o que mais demonstra suas emoções, chega a soluçar. Ele gostava de Branca afinal.

Os anões acreditam que Branca estava morta, mas mesmo assim não conseguiram enterrá-la. Ao invés disso, fazem um esquife de vidro. Através da mudança de cores das árvores, podemos perceber que se passa cerca de um ano até que o príncipe a encontre. Ele chega cantando, o que mostra que nunca a esqueceu e nos faz perguntar se ele já esperava encontrá-lá naquele local.

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Quando a vê, os anões permitem que ele se aproxime e a beije, quebrando assim, para a surpresa de todos, o feitiço. Os anões dançam de alegria enquanto o príncipe coloca a princesa sobre seu cavalo e os dois partem rumo ao castelo. O final é simples, fácil. Mas perfeito. É claro que eles viveriam felizes para sempre. E então, o livro se fecha.

O roteiro é simples e ingênuo, o bem e o mal ficam claros desde o início, sem reviravoltas. Mas, por ser redondinho, funciona. Diria até que, para a época, era bastante sofisticado, apresentando duas protagonistas femininas. Além disso, todos os elementos que hoje consideramos clássicos eram novidade. O público precisou processar muitas informações novas e uma trama mais complicada poderia prejudicar o filme.

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A produção foi caríssima, Walt precisou hipotecar tudo o que tinha para bancar. Felizmente, Branca de Neve e os Sete Anões (1937) fez um tremendo sucesso. Tanto, que até hoje ocupa os primeiros lugares nas listas de maiores bilheterias de todos os tempos — com a correção de inflação, claro.

A animação arrecadou, na época, oito milhões e meio de dólares. Lembrem-se que, em 1937, o ingresso de um adulto custava apenas vinte e cinco centavo, e o de uma criança, dez centavos. Estima-se que, nos dias de hoje, o filme arrecadaria cerca de seis bilhões de dólares. Surreal, não?

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A animação também estabeleceu um padrão de qualidade para as produções de Walt Disney, uma padrão que se mantém até os dias de hoje. Dos estúdios Disney, sempre esperamos o melhor. Na época, a sofisticação de Walt era demonstrada pelos cenários complexos e acabamento refinado, como o contorno colorido dos personagens que os suavizam e demora muito mais para ser feito.

O processo de animação tradicional é fascinante, e poucos o conhecem. Consiste em fazer vinte e quatro desenhos diferentes para cada segundo em tela. Ah, mas isso não é tudo, é preciso também finalizar, colorir e fotografar cada quadro sobre o cenário. É complicado, demorado, caro e… magnífico. Que tal assistir um pouquinho os bastidores?

Bastidores de Branca de Neve e os Sete Anões:

O filme foi tão aclamado e bem conceituado pela crítica, que um Oscar® especial foi dado a Walt Disney. A atriz mirim Shirley Temple lhe entregou uma grande estatueta acompanha de outras sete menores, representando Branca de Neve e os sete anões. Sua importância foi tanta, que Branca de Neve é a única princesa a possuir uma estrela na Calçada da Fama ao lado de Mickey Mouse.

Felizmente, o longa não ganhou uma continuação. Todos sabemos que esse nunca foi o forte dos estúdios Disney, com raras exceções. Recentemente, a história foi de certo modo recontada pelo seriado da ABC, Once Upon a Time (2011 – hoje). Apesar de ser muito diferente da trama de 1937, vale a pena ser assistido pois faz várias referências e homenagens ao clássico.

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Alguns filmes se destacam por seu roteiro inovador, outros por sua músicas e personagens complexos. E há ainda aqueles que contribuem para a criação de novas tecnologias. Branca de Neve e os Sete Anões (1937), no entanto, chama a atenção por ser pioneira em todos os departamentos. Walt superou todas as dificuldades financeiras e baixas expectativas, e apresentou ao mundo sua maneira de contar histórias.

Escrever essa matéria me deu a chance de rever esse clássico após tantos anos. E senti como se estivesse vendo pela primeira vez. É claro que há nostalgia, mas o filme funciona tão bem, principalmente após ser restaurado, e não deve em nada às novas produções. Desde o momento no qual o livro se abre até quando ele se fecha, voltamos a ser crianças. Espero que seja para sempre lembrado, merece todo o nosso carinho e um lugar especial na estante.

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Sobre o Autor(a)

Designer Gráfico, Disney freak, viciada em café, quer ser roteirista e princesa quando crescer. Têm mais livros do que deveria e leu mais vezes “Orgulho e Preconceito” do que têm coragem de admitir.



  • Harley

    Eu amo Branca de Neve, é um filme que a gente pode assistir sempre e nunca vai se enjoar, as músicas são perfeitas, tudo nesse filme foi feito de uma forma impecável e magistral, clássico dos clássicos, pioneiro de tudo.

    Mas eu não vejo a hora de fazerem um CNC sobre “O Caldeirão Mágico”, pois creio ser o filme mais “controverso” e “fracassado” da Disney, então seria muito bom ver uma resenha sob a visão da equipe do O Camundongo, pois sei que não teria só elogios nele rsrsrs

  • rodrigo duarte

    A Branca arrasa, até mesmo um Grande Dragão Guerreiro se curva à ela.

  • flávia j

    A importância de Branca de Neve para a história do cinema e da animação é inegável. Mas devo admitir que Branca de Neve nunca foi minha princesa favorita da Disney; ela é muito delicada, ingenua e passiva pro meu gosto – mas eu compreendo que sua personalidade é apenas um espelho de seu tempo, eu não poderia esperar nada de diferente em uma animação de 1937. O principe é o mais sem personalidade de todos – outra coisa que eu posso entender, já que na epoca os animadores ainda tinham dificuldade com personagens masculinos realistas e por isso sua aparição foi encurtada o máximo possível. A Bruxa Má é uma vilã lendária sem duvida, porém não é minha vilã favorita.
    Os Sete anões, com seu imenso carisma, é que carregam o filme nas costas. Amo eles. Concordo que é uma bênção que Branca de Neve nunca tenha recebido uma continuação, mas na minha singela opinião, eu acho que os sete anões mereceriam sim ter uma série só para eles -assim como Timão e Pumba tiveram – mas uma coisa decente e não algo zoado e bizarro como aquele “7D” da Disney XD – Jesus, aquilo é uma desgraça!

    • Pedro

      Alívios cômicos não costumam funcionar bem como centro da história, como se viu no recente filme dos minions.
      Muitas dessas críticas tem a ver com o fato de que a linguagem dos contos de fada é diferente da cinematográfica. Pessoalmente, acho que inventar personalidades ‘complexas’ para os protagonistas dos contos acaba destruindo o simbolismo original.
      Bruno Bettelheim, na sua “Psicanálise dos Contos de Fadas”, reconhece a passividade de Branca de Neve e Bela Adormecida, mas lembra que meninos e meninas tem momentos absolutamente inevitáveis de passividade em suas vidas, que também precisam ser enfrentados e superados e que fazem parte da vida. Mas hoje queremos que meninos e meninas sejam ‘fortes’ e ‘batalhadores’ o tempo todo,porque nossa sociedade é baseada na competição. Mas também não queremos admitir que esses filhos ‘fortes’ desafiem os pais, embora o conflito fundamental das crianças seja sempre com os pais, o que era reconhecido nos contos de fadas, onde as madrastas más simbolizavam os atritos entre pais e filhos. Por isso hoje em dia tanta gente que critica a passividade de Branca de Neve também critica a desobediência de Ariel, ou a rebeldia da Matilda de Roald Dahl (mesmo que os pais dela fossem maus). O modelo hoje parece ser a Elsa, que demonstrava total obediência aos pais, mesmo com sua cara choro, e cuja ‘força’ parece decorrer mais de sua postura vitimista.